Acordo da OPAS com Gilead gera dúvidas sobre acesso ao lenacapavir na América Latina
Médicos Sem Fronteiras questiona transparência, preços e distribuição do medicamento para prevenção do HIV
Um acordo recente entre a farmacêutica Gilead Sciences e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) busca estabelecer uma via regional para o acesso ao lenacapavir, um medicamento injetável utilizado na prevenção do HIV. Apesar do avanço, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) expressa preocupações quanto à efetividade do acordo para garantir o acesso ao tratamento na América Latina e no Caribe.
Segundo a MSF, a Gilead mantém controle total sobre o fornecimento, preços e condições de distribuição do lenacapavir na região. O anúncio do acordo não detalha o custo do medicamento, a quantidade de doses destinadas a cada um dos 14 países envolvidos, nem os prazos para entrega. Além disso, não há informações claras sobre eventuais condições impostas pela empresa para a comercialização.
Características do lenacapavir
O lenacapavir é uma forma injetável da profilaxia pré-exposição (PrEP), que necessita de aplicação apenas duas vezes ao ano, diferentemente das versões orais que exigem uso diário. Conforme destacado pela MSF, o medicamento apresenta eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, o que o torna uma ferramenta promissora para populações com dificuldades de adesão a tratamentos diários ou com acesso limitado a serviços de saúde.
Preocupações com acesso e produção
A MSF ressalta que o acordo não contempla a disponibilização de versões genéricas acessíveis do lenacapavir para a América Latina e o Caribe. A organização também destaca que, mesmo em países onde foram realizados ensaios clínicos, como Brasil, Argentina, México e Peru, o medicamento ainda não foi disponibilizado para a população.
Outro ponto crítico é a transferência de tecnologia, que permitiria a outros fabricantes produzir o medicamento localmente. A MSF defende que os compromissos, prazos e condições para essa transferência sejam transparentes, pois a produção local pode levar anos para se concretizar.
Quanto ao preço, a MSF propõe que o lenacapavir seja vendido por US$ 40 por pessoa ao ano, valor que fabricantes de genéricos selecionados concordaram em outras regiões. Em contraste, nos Estados Unidos, a Gilead comercializa o medicamento por US$ 28 mil por pessoa ao ano.
Declaração da MSF
Antonio Flores, consultor sênior da MSF para HIV e tuberculose, comentou: “O sigilo e a falta de transparência em torno do acordo levantam mais perguntas do que respostas: quantas doses de lenacapavir a Gilead oferecerá a cada país e em quanto tempo? Haverá condições? O preço ficará fora do alcance das pessoas que precisam do medicamento e dos governos que desejam protegê-las?”
Flores reforça que o preço, a distribuição e as condições impostas pela Gilead podem afetar significativamente o acesso ao medicamento inovador. A MSF conclui que, apesar do anúncio do acordo, é necessário que a Gilead e os governos façam mais para ampliar e garantir o acesso ao lenacapavir para as pessoas que mais precisam na região.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



