Saúde do homem: 27% ainda buscam médico só com problemas
Pesquisa Ipsos/MSD revela comportamento reativo em parcela dos homens brasileiros
Embora a maioria dos homens brasileiros demonstre preocupação com a saúde, nem todos transformam essa atenção em cuidados preventivos regulares. Uma pesquisa da Ipsos em parceria com a MSD, que ouviu 300 homens entre 20 e 45 anos de todas as regiões do país, revelou que 27% mantêm uma postura reativa, procurando atendimento médico apenas quando consideram necessário.
Dentro desse grupo, 20% afirmam buscar ajuda somente ao perceber algum problema de saúde, enquanto 6% evitam o médico sempre que possível, recorrendo ao atendimento apenas em casos extremos.
Influência dos padrões de masculinidade
O levantamento aponta que 73% dos entrevistados adotam uma atitude preventiva em relação às consultas médicas. No entanto, transformar a preocupação em uma rotina de cuidado ainda é um desafio para muitos.
Segundo o especialista em Sexologia e Sexualidade Januário Mourão, que atua com masculinidades, educação sexual e comportamento, essa postura pode estar relacionada à forma como os homens são socialmente ensinados a lidar com o próprio corpo.
“Existe uma construção social da masculinidade que associa o homem à força, à resistência e à capacidade de resolver os próprios problemas sozinho. Isso pode fazer com que ele interprete a procura por ajuda como uma demonstração de fraqueza. Não precisamos esperar que o problema apareça para começar a prestar atenção na saúde”, explica.
Essa cobrança por autossuficiência é especialmente evidente na saúde sexual. Dificuldades como alterações na ereção, no desejo sexual, sintomas genitais ou dúvidas sobre infecções podem gerar vergonha e medo de julgamento, levando alguns homens a tentar resolver os problemas sozinhos.
Importância da informação confiável
A pesquisa também revelou que 52% dos homens utilizam médicos e profissionais de saúde como fonte de informação, enquanto 38% recorrem às redes sociais, onde conteúdos sem embasamento podem dificultar a compreensão sobre prevenção e tratamento.
Em relação ao HPV, 65% dos entrevistados afirmaram conhecer o vírus quando estimulados, mas 45% acreditam que a infecção sempre apresenta sintomas e 55% consideram que o uso do preservativo sempre evita a transmissão, indicando lacunas no conhecimento.
“A educação baseada em evidências ajuda a substituir o medo e os mitos por conhecimento. E conhecimento dá ao indivíduo mais condições de reconhecer sinais, fazer prevenção e procurar o profissional adequado”, destaca Januário Mourão.
Repensar masculinidades para cuidar da saúde
Para o especialista, mudar a relação dos homens com o cuidado exige ampliar a compreensão sobre masculinidade e vulnerabilidade. Reconhecer limites, fazer perguntas e aceitar acompanhamento profissional são atitudes de responsabilidade.
“Cuidado não começa quando a doença aparece. Ele começa quando a pessoa consegue olhar para si, perceber mudanças, fazer perguntas e procurar ajuda antes que uma situação se agrave. Pedir ajuda não diminui a masculinidade”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



