Fernanda Lima e Flávia Alessandra falam da perimenopausa
Relatos sobre insônia, névoa mental e mudanças no corpo ajudam a ampliar o reconhecimento dos sinais da transição hormonal
Quando Fernanda Lima afirma que o calorão é “o de menos”, a conversa sobre menopausa ganha uma nova dimensão. Em entrevista ao programa Provoca, de Marcelo Tas, a apresentadora compartilhou experiências relacionadas à memória, sono, libido, ressecamento vaginal e ganho de peso. Meses depois, Flávia Alessandra também relatou dificuldades enfrentadas durante a transição hormonal, incluindo noites sem dormir, boca seca, queda de cabelo e alterações na pele.
Ao expor essas vivências, as duas artistas ajudam a desmistificar sintomas que muitas vezes são tratados como questões individuais, mostrando que a perimenopausa pode afetar diversas áreas da vida cotidiana e nem sempre se manifesta inicialmente pelo sintoma mais conhecido, o fogacho.
Perimenopausa pode começar antes da última menstruação
A perimenopausa é a fase de transição que pode iniciar anos antes da última menstruação. Durante esse período, os ciclos menstruais podem continuar, enquanto surgem alterações no sono, humor, memória, metabolismo e sexualidade.
De acordo com a ginecologista, pesquisadora e especialista em menopausa Fabiane Berta, a oscilação do estrogênio provoca instabilidade porque o cérebro recebe sinais hormonais irregulares e precisa se adaptar constantemente.
“A perimenopausa não é apenas um momento de falta de estrogênio. É uma fase de oscilação, e o cérebro precisa responder continuamente a sinais que mudam”, explica Fabiane. Essa inconsistência interfere em regiões relacionadas ao controle do estresse, sono e cognição.
Por que surgem insônia, ansiedade e névoa mental?
A especialista detalha três mecanismos que ajudam a compreender essa instabilidade. A oscilação do estradiol pode afetar o eixo do estresse, acompanhando variações do cortisol e favorecendo episódios de ansiedade. A queda da progesterona reduz a alopregnanolona e o tônus GABAérgico, prejudicando a manutenção do sono e contribuindo para despertares frequentes.
O terceiro mecanismo envolve os receptores de estrogênio no cérebro, cuja densidade pode aumentar para compensar as oscilações hormonais, enquanto o sistema nervoso se reorganiza. Essa adaptação pode estar associada a episódios de brain fog, caracterizados por esquecimentos, dificuldade de concentração e sensação de perda do raciocínio.
“Ansiedade piora o sono, dormir mal interfere na cognição e a dificuldade cognitiva aumenta a sensação de estresse”, afirma Fabiane. Por isso, tratar cada sintoma isoladamente pode não resolver a origem do quadro, que é um sistema interligado e retroalimentado.
O que considerar na investigação
A avaliação da perimenopausa não depende apenas de exames hormonais isolados ou da presença de fogachos. A história clínica, a intensidade das mudanças e a percepção da própria paciente são fundamentais para um diagnóstico mais completo.
“A mulher conhece seu padrão. Ela sabe como dormia, trabalhava, pensava e como o corpo respondia antes. Quando tudo começa a mudar simultaneamente, é preciso escutar essa história”, destaca a ginecologista. A investigação médica pode ajudar a diferenciar causas e definir condutas individualizadas.
Os relatos de Fernanda Lima e Flávia Alessandra não substituem evidências científicas ou avaliação profissional, mas ampliam a reflexão sobre como mudanças no sono, memória, pele e corpo podem estar relacionadas à transição hormonal.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



