Excesso de telas: sinais de alerta em crianças e adolescentes
Quando o uso de celulares, redes sociais e jogos começa a afetar sono, estudos e relações sociais
Celulares, redes sociais e jogos digitais fazem parte da rotina de crianças e adolescentes. No entanto, quando o tempo diante das telas começa a comprometer o sono, os estudos, as relações presenciais e atividades que antes despertavam interesse, é importante ficar atento.
Segundo Amanda Silva, médica psiquiatra e docente da Faculdade Santa Marcelina, a maior vulnerabilidade desse público está relacionada à combinação entre um cérebro em desenvolvimento e plataformas digitais projetadas para estimular a busca constante por recompensas.
Por que crianças e adolescentes são mais vulneráveis
Na adolescência, o córtex pré-frontal — responsável pelo planejamento, controle dos impulsos e avaliação das consequências — ainda está em processo de amadurecimento. Ao mesmo tempo, os sistemas ligados à recompensa e motivação estão mais ativos.
“Isso cria um desequilíbrio, o desejo pela busca de recompensa está mais desenvolvido do que o ‘freio’ da impulsividade”, explica a especialista. Essa característica torna jogos, redes sociais e aplicativos especialmente atraentes para os jovens.
Além disso, crianças e adolescentes ainda aprendem a lidar com tédio, frustração, ansiedade e outras emoções desagradáveis. Nesse contexto, a tela pode funcionar como uma válvula de escape, mas o problema surge quando ela se torna a principal — ou única — forma de regular essas emoções.
Sinais de uso problemático
Não é apenas o número de horas conectado que importa, mas o que está sendo deixado de lado por causa do uso dos dispositivos. Entre os sinais de alerta estão:
- Tentativas repetidas e malsucedidas de reduzir o tempo de tela;
- Preocupação constante com jogos ou aplicativos;
- Perda de interesse por hobbies, esportes e encontros presenciais;
- Irritabilidade, ansiedade ou tristeza quando o dispositivo é retirado;
- Queda no desempenho escolar e prejuízo do sono;
- Conflitos familiares frequentes, mentiras sobre o tempo de uso e abandono de amizades.
“O prejuízo funcional é um dos principais fatores para identificarmos um uso problemático”, destaca Amanda Silva.
Impactos no sono, autoestima e saúde mental
O uso de telas próximo ao horário de dormir pode atrasar o início do sono e alterar o ritmo circadiano. Notificações e conteúdos estimulantes dificultam o descanso, resultando em sonolência e dificuldade de concentração no dia seguinte.
Estudos indicam que o aumento do tempo de tela está associado a sintomas de ansiedade e depressão, especialmente quando envolve redes sociais. Fatores como comparação social, cyberbullying e exposição a padrões de aparência podem afetar a autoestima corporal e estar relacionados a comportamentos alimentares desregulados.
Como estabelecer limites sem conflitos
A recomendação da especialista não é retirar o celular de forma abrupta, pois não há evidências de que uma interrupção rígida seja mais eficaz do que a redução gradual. O importante é criar regras previsíveis e oferecer alternativas para ocupar o tempo antes dedicado às telas.
Medidas práticas incluem estabelecer horários e espaços livres de dispositivos, como durante as refeições, no quarto, durante o dever de casa e na hora que antecede o sono. Adaptar os limites à idade e rotina da criança ou adolescente também é fundamental.
Substituir o tempo de tela por esportes, música, arte, encontros presenciais e atividades extracurriculares ajuda a preencher esse espaço. O diálogo é essencial: em vez de transformar o uso do celular em uma disputa, os pais devem conversar sobre hábitos digitais e construir regras claras junto aos filhos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



