Biobanco do InCor impulsiona pesquisas sobre coração e pulmão

Estrutura reúne amostras de doenças complexas e pode ajudar a personalizar tratamentos com genômica, dados clínicos e inteligência artificial.

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP) tem ampliado sua atuação em pesquisa e inovação com o fortalecimento do seu Biobanco, uma estrutura dedicada ao armazenamento de tecidos biológicos de alta qualidade. Mais do que um simples local para guardar amostras, o Biobanco é um departamento permanente que apoia estudos científicos atuais e futuros, consolidando a liderança do InCor na investigação de doenças cardiovasculares e pulmonares complexas.

Diferente de um biorepositório, que reúne materiais para projetos específicos, o Biobanco do InCor possui caráter institucional e segue normas rigorosas de qualidade, ética e segurança, sendo regulamentado e aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), vinculada ao Ministério da Saúde.

Amostras de doenças raras fortalecem a pesquisa brasileira

O diferencial do Biobanco está no expressivo volume e na alta complexidade dos pacientes atendidos pelo InCor, o que permite coletar e armazenar rapidamente amostras de patologias específicas e raras, conferindo relevância global às pesquisas brasileiras.

Em parceria com o Laboratório de Genética do Instituto Krieger, o Biobanco iniciou há cerca de seis meses a coleta de tecidos cardíacos de doadores e receptores acometidos pela Doença de Chagas. Nesse período, foram obtidos casos de 10 receptores chagásicos, número expressivo se comparado a biobancos internacionais, que costumam registrar apenas um ou dois casos da doença. Atualmente, o acervo já ultrapassa 13 casos de coração catalogados.

Além disso, o InCor mantém o único biobanco brasileiro dedicado especificamente ao transplante pulmonar, com mais de 100 amostras coletadas até o momento.

Dados para tratamentos personalizados

Os protocolos de coleta e armazenamento do transplante pulmonar foram baseados nos modelos de excelência da Universidade de Toronto, no Canadá. As amostras obtidas em diferentes fases cirúrgicas permitem estudar os processos de isquemia e reperfusão — relacionados ao resfriamento e reaquecimento dos órgãos — para mitigar riscos de disfunção do enxerto.

A meta a longo prazo é cruzar dados de genômica, metabolômica e transcriptoma com algoritmos de inteligência artificial para determinar com precisão a compatibilidade ideal entre doadores e receptores, personalizando os tratamentos ao máximo, conforme explica o professor Paulo M. Pêgo Fernandes, diretor da Divisão de Cirurgia Torácica do InCor.

O InCor também aceitou convite para integrar um atlas biológico liderado pela Universidade de Harvard, que mapeará o comportamento celular de tecidos cardíacos com tecnologia single-cell.

Ética, segurança e expansão

O funcionamento do Biobanco segue rigorosamente as normas do Ministério da Saúde e da CONEP. Todos os pacientes assinam um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde manifestam suas preferências de privacidade e o desejo de serem informados sobre eventuais descobertas médicas relacionadas às suas amostras.

Atualmente, os projetos operam em escala controlada para garantir rastreabilidade e qualidade. A próxima etapa é transferir o Biobanco para uma área dedicada no subsolo do CESIN — Centro de Ensino, Simulação e Inovação do InCor — equipada com freezers de alta tecnologia. Essa mudança formalizará o Biobanco junto a todas as disciplinas do instituto e fortalecerá sua integração com o Sistema Único de Saúde (SUS).

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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