Pesquisa brasileira identifica cinco subclasses moleculares de tumores hipofisários
Estudo da endocrinologista Elisa B. Lamback revela diversidade biológica em gonadotropinomas e é destaque internacional
Uma pesquisa brasileira identificou cinco subclasses moleculares em tumores hipofisários do tipo gonadotropinoma, revelando uma diversidade biológica que não é captada pela classificação tradicional desses tumores. O estudo foi conduzido pela endocrinologista Elisa B. Lamback e selecionado para apresentação na CACA-SBOC Session, uma sessão científica conjunta entre a China Anti-Cancer Association (CACA) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), realizada em Tianjin, na China.
A médica foi convidada a participar da programação internacional representando o Programa de Jovens Lideranças Médicas (PJLM) da Academia Nacional de Medicina (ANM), com apresentação prevista para novembro.
Descobertas da pesquisa
Os tumores hipofisários estudados são atualmente classificados dentro de uma mesma linhagem celular, mas apresentam variações importantes em sua morfologia e comportamento clínico. A pesquisa buscou verificar se essas diferenças também se refletiam em características moleculares distintas.
Para isso, a equipe analisou os perfis de expressão de microRNAs — pequenas moléculas de RNA que regulam a expressão gênica — e aplicou aprendizado de máquina não supervisionado, que permite identificar agrupamentos moleculares sem pré-definição de grupos.
“A nossa pergunta foi justamente se essas diferenças observadas no microscópio e na clínica também poderiam refletir diferenças biológicas mais profundas. Ao analisar os perfis de expressão de microRNAs, identificamos cinco subclasses moleculares distintas de gonadotropinomas”, explicou Elisa B. Lamback.
Implicações para o tratamento
O achado sugere que tumores atualmente agrupados em uma única categoria podem ter mecanismos biológicos e comportamentos clínicos diferentes, o que abre caminho para abordagens de medicina de precisão nos tumores hipofisários.
Atualmente, o tratamento dos gonadotropinomas é predominantemente cirúrgico. Diferentemente de outros tumores hipofisários, ainda não há terapias farmacológicas específicas para esse tipo.
“Compreender essas diferenças é um passo importante em direção a uma medicina de precisão para os tumores hipofisários”, afirmou a pesquisadora.
Próximos passos
As próximas etapas da pesquisa incluem a identificação dos microRNAs característicos de cada subgrupo e a integração dessas informações ao transcriptoma das células tumorais, com o objetivo de descobrir genes, vias de sinalização, biomarcadores e potenciais alvos terapêuticos.
Elisa B. Lamback é endocrinologista, mestre e doutora em Endocrinologia pela UFRJ, atua no Serviço de Neuroendocrinologia e coordena o Laboratório de Genética Molecular do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



