Cólicas intensas: quando investigar a endometriose?

Dor menstrual forte que interfere na rotina merece avaliação médica; entenda os sinais e a investigação da endometriose

Sentir cólica durante a menstruação é comum, mas conviver com dor intensa não deve ser encarado como algo normal. Quando a dor se repete, limita atividades diárias e aparece em outras regiões além da pelve, é importante buscar avaliação médica para investigar causas como a endometriose.

O cirurgião ginecológico e pesquisador Dr. Igor Chiminacio destaca que a dor menstrual deve ser avaliada considerando sua intensidade, frequência e impacto na rotina. “Nem toda mulher que sente cólica tem endometriose, mas uma dor intensa e recorrente não deve ser simplesmente normalizada. Sentir dor não é normal”, afirma.

Quando a cólica merece atenção?

Não há um único critério para determinar se a dor está relacionada à endometriose, mas alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica, especialmente quando se repetem ao longo dos ciclos menstruais:

  • Dor menstrual intensa ou persistente;
  • necessidade de interromper trabalho, estudos ou atividades físicas;
  • dor que também ocorre na lombar, virilha ou pernas;
  • relação clara entre a dor e o período menstrual.

Segundo Chiminacio, o atraso no diagnóstico da endometriose pode chegar a oito ou dez anos, em parte devido à naturalização da dor menstrual.

Exames não encerram a investigação

Ultrassonografia e ressonância magnética auxiliam na identificação e localização da endometriose, mas não devem ser analisados isoladamente. A história clínica, descrição detalhada dos sintomas e exame físico são fundamentais para orientar a investigação.

“Antes de olhar uma imagem, eu quero entender o que a paciente sente, quando sente e onde dói. Os sintomas podem dar pistas importantes sobre a localização da doença”, explica o médico. Registrar quando a dor aparece, onde é sentida e quais atividades são afetadas ajuda na avaliação médica.

A “Teoria do Polvo” para explicar a dor

Para ilustrar por que a endometriose pode causar dores em diferentes regiões, Dr. Igor Chiminacio desenvolveu a “Teoria do Polvo”. Nessa analogia, o útero representa a cabeça do polvo, enquanto os paramétrios — tecidos que sustentam o órgão — são comparados aos tentáculos.

Essa comparação ajuda a entender como a endometriose pode afetar estruturas próximas aos nervos, provocando sintomas além da região pélvica. O conceito foi apresentado no Congresso Global da AAGL, realizado em 2025, em Vancouver, e publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.

A principal recomendação é não aceitar a dor incapacitante como parte obrigatória da menstruação. A avaliação médica adequada pode diferenciar uma cólica comum de sintomas que exigem investigação aprofundada.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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