Saúde mental na velhice: sinais de alerta e prevenção
Depressão, ansiedade e isolamento afetam idosos; reconhecer mudanças persistentes é fundamental para o cuidado
O envelhecimento da população traz desafios significativos para a saúde mental na terceira idade, tema que ganha destaque no Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e prevenção do suicídio. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 14,75% dos adultos com 70 anos ou mais convivem com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão os mais frequentes.
Esses transtornos representam 6,8% do total de anos vividos com incapacidade nessa faixa etária, e globalmente, cerca de 16,6% das mortes por suicídio ocorrem entre pessoas com 70 anos ou mais. O psiquiatra e professor da Afya Faculdade de Medicina de Itajubá, Dr. Jorge Tostes, explica que a depressão e a ansiedade em idosos podem se manifestar de formas menos evidentes, como dor, cansaço, falta de energia, dificuldade de memória, irritação ou lentidão, além de sentimentos de desesperança e desamparo.
Reconhecendo sinais menos óbvios
Segundo o especialista, a combinação de depressão e ansiedade pode intensificar o sofrimento, aumentando a agitação e a impulsividade, o que eleva o risco de suicídio. A ansiedade também pode dificultar a adesão ao tratamento e aumentar sensações de insegurança e medo.
Além disso, fatores como o uso de álcool e outras substâncias, doenças físicas crônicas, perdas sucessivas, lutos acumulados e isolamento social contribuem para o aumento do risco entre idosos. O acesso facilitado a meios letais também é um aspecto preocupante.
Importância da atenção a mudanças persistentes
Um estudo publicado em 2025 pela revista The Lancet, com dados de 47 países ao longo de 25 anos, revelou que, em 2021, a taxa global de mortalidade por suicídio entre pessoas com 65 anos ou mais foi de cerca de 16 mortes por 100 mil habitantes, superior à média mundial de quase 11 por 100 mil. Os homens representam 75% das vítimas nessa faixa etária.
A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, destaca que o envelhecimento envolve mudanças biológicas, sociais e afetivas, como aposentadoria, redução da renda, viuvez, doenças crônicas e isolamento social, que podem impactar a saúde mental.
Ela orienta que cuidadores e familiares fiquem atentos a sinais persistentes, como:
- abandono de atividades prazerosas;
- isolamento progressivo e perda de interesse;
- desesperança ou sensação de ser um peso para a família;
- alterações significativas no sono ou apetite;
- descuido com higiene e medicamentos;
- irritabilidade, ansiedade intensa ou aumento do consumo de álcool;
- perda inexplicada de funcionalidade;
- pensamentos recorrentes sobre a morte.
Dra. Érica reforça que esses sinais não devem ser encarados como consequências inevitáveis da idade, e que buscar avaliação profissional e fortalecer a convivência são passos essenciais para o cuidado e prevenção.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



