Lesões autoprovocadas: mulheres e jovens predominam em internações

Levantamento da Plataforma DRG Brasil revela perfil e gravidade das lesões autoprovocadas em pacientes internados por saúde mental

Mulheres representaram 68,3% dos pacientes com registro de lesão autoprovocada entre as internações por transtornos mentais e comportamentais no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde. O estudo também aponta maior concentração de pacientes jovens nesse grupo.

Entre janeiro e junho de 2026, foram registradas aproximadamente 14,7 mil internações para tratamento de saúde mental, das quais 1.841 (12,5%) apresentaram registro de lesão autoprovocada intencionalmente. No mesmo período de 2025, foram 14.166 internações, com 1.887 registros desse tipo, ou 13,3%.

Perfil das mulheres e jovens

A participação feminina entre os casos de lesão autoprovocada foi superior à observada no conjunto das internações por saúde mental. Em 2026, as mulheres representavam 54% de todas as internações, mas 68,3% dos pacientes com registro de lesão autoprovocada.

Além disso, a idade média dos pacientes com lesão autoprovocada foi de 31,3 anos, inferior à média de 40,5 anos do total de pacientes internados por saúde mental. Crianças e adolescentes até 17 anos passaram a representar 15% das internações com lesão autoprovocada em 2026, contra 13,3% no primeiro semestre de 2025. No total das internações por saúde mental, essa faixa etária correspondeu a 9,4% em 2026.

Mecanismos predominantes e gravidade

A autointoxicação por medicamentos e drogas foi o mecanismo mais frequente entre as lesões autoprovocadas, representando 67,7% dos casos em 2026, contra 70% em 2025. Entre as mulheres, essa proporção chegou a 73,8%.

O levantamento destaca que esses dados não devem ser interpretados isoladamente como tentativa de suicídio, mas indicam perfis de vulnerabilidade que demandam atenção especial das equipes de saúde.

Cuidados intensivos e desfechos

Em 2026, 26,1% dos pacientes com registro de lesão autoprovocada necessitaram de passagem pelo Centro de Terapia Intensiva (CTI), percentual semelhante ao de 25,2% registrado em 2025. A permanência média hospitalar aumentou de 4,1 para 4,7 dias entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, e o custo assistencial médio subiu de R$ 4,8 mil para R$ 5,4 mil.

O presidente do Grupo IAG Saúde, Breno Duarte, ressalta que o perfil mais jovem dos pacientes e o aumento da participação de crianças e adolescentes evidenciam a necessidade de identificação precoce de situações de sofrimento e vulnerabilidade, além da importância de uma rede preparada para reconhecer sinais de risco e garantir acompanhamento contínuo.

Considerações metodológicas

O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo, com dados dos primeiros semestres de 2025 e 2026. Foram consideradas internações cujo diagnóstico principal pertence ao grupo F00-F99 da CID-10, referente a transtornos mentais e comportamentais. Lesões autoprovocadas intencionais foram identificadas pela presença de códigos CID secundários entre X60 e X84.

Esses códigos não permitem, isoladamente, classificar todos os episódios como tentativa de suicídio, assim como óbitos registrados durante a internação não equivalem necessariamente a suicídios consumados. Os dados servem para indicar a evolução hospitalar dos pacientes e a gravidade assistencial associada.

A prevenção do suicídio envolve reconhecer situações de vulnerabilidade, ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental e assegurar acompanhamento adequado ao longo da trajetória do paciente. O Setembro Amarelo reforça a importância de um cuidado contínuo e compartilhado por toda a rede de atenção.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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