Alzheimer antes dos 60: quando o esquecimento preocupa
Saiba quais lapsos de memória podem ser comuns e quando buscar avaliação médica
Esquecer onde colocou as chaves ou entrar em um cômodo sem lembrar imediatamente o que iria fazer pode acontecer com qualquer pessoa. O sinal de alerta aparece quando os lapsos deixam de ser pontuais, se repetem e começam a atrapalhar tarefas, compromissos e relações do dia a dia.
O tema ganha atenção em setembro, especialmente no dia 21, Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer. Embora a condição seja mais frequente entre pessoas idosas, também pode ter início precoce. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica como início precoce a demência por Alzheimer que começa antes dos 65 anos.
Quando o esquecimento merece investigação?
Segundo o neurologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Vinicius Rodrigues, um episódio isolado não deve ser interpretado automaticamente como sinal de uma doença neurológica.
“Esquecer alguma informação ocasionalmente pode acontecer, especialmente em períodos de estresse, privação de sono, ansiedade ou sobrecarga. O sinal de atenção aparece quando a pessoa começa a apresentar mudanças persistentes em relação ao seu funcionamento habitual, com esquecimentos recorrentes e dificuldades que passam a comprometer tarefas que antes eram realizadas normalmente”, explica o especialista.
Entre os sinais que podem estar associados ao Alzheimer, estão:
- esquecer acontecimentos recentes;
- repetir as mesmas perguntas com frequência;
- ter dificuldade para encontrar caminhos conhecidos;
- não conseguir acompanhar conversas ou resolver problemas;
- apresentar alterações na linguagem, como dificuldade para encontrar palavras.
Com a progressão da doença, também podem surgir mudanças comportamentais e dificuldades de orientação no espaço e no tempo. Ainda assim, esses sinais não confirmam, sozinhos, um diagnóstico.
Nem toda perda de memória é Alzheimer
Alterações cognitivas podem ter diferentes causas. O neurologista cita, entre outras possibilidades, alguns medicamentos, depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, infecções e consumo excessivo de álcool. Parte dessas condições pode ser tratada ou até revertida quando identificada adequadamente.
Por isso, tentar descobrir a causa por conta própria não é o melhor caminho. A avaliação pode incluir entrevista clínica, histórico de saúde, exame físico, testes cognitivos e, conforme o caso, exames complementares.
Idade não deve encerrar a investigação
Em pessoas mais jovens, é comum que outras causas sejam consideradas inicialmente. Porém, sintomas progressivos que afetam a autonomia, o desempenho profissional, a vida social ou a rotina familiar precisam ser avaliados independentemente da idade.
“Quando a família percebe que a pessoa está repetindo perguntas, esquecendo compromissos com frequência, tendo dificuldade para organizar atividades habituais ou se perdendo em locais conhecidos, esses sinais merecem atenção. Isso não significa necessariamente que seja Alzheimer, mas indica que é importante investigar o que está provocando essas alterações”, orienta o neurologista.
A recomendação central é observar mudanças em relação ao padrão habitual da pessoa. Se a perda de memória se torna recorrente, evolui ao longo do tempo ou prejudica atividades cotidianas, buscar avaliação médica é uma atitude de cuidado.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



