Técnica brasileira busca remover tumor de mama com menos invasão
Estudo com 120 casos avalia abordagem percutânea para tumores de mama, ainda em fase de validação clínica
Uma técnica desenvolvida e aprimorada no Brasil pode representar um avanço para tratamentos menos invasivos de tumores de mama. O método combina a biópsia mamária estendida assistida a vácuo com a raspagem, conhecida como shaving, do tecido residual na cavidade após a retirada da lesão.
Os resultados fazem parte de um estudo retrospectivo com 120 casos, publicado na revista científica Annals of Surgical Oncology, com participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Segundo o material, trata-se da maior série já publicada sobre essa abordagem.
Como funciona a técnica
Na biópsia a vácuo estendida, uma agulha guiada por ultrassom ou estereotaxia retira fragmentos da lesão por aspiração. O material é analisado por patologistas para identificar a presença de células cancerígenas.
O procedimento é realizado com anestesia local. Após a retirada dos fragmentos, realiza-se a raspagem da cavidade residual, que pode indicar se ainda há lesão no local e ajudar a prever a remoção completa do tumor.
Resultados do estudo
Dos 120 casos avaliados, 37,5% não apresentaram tumor residual na cirurgia. Em 15% dos casos, foi detectada doença residual mínima, com tumores menores que três milímetros.
“Ou seja, a estratégia conseguiu remover completamente o câncer em um a cada três casos”, afirma a mastologista Paula Clarke, autora da dissertação de mestrado que originou o estudo.
O estudo também apontou diferenças entre os tipos de tumor. Segundo Eduardo Carvalho Pessoa, orientador do trabalho, a excisão a vácuo é mais eficaz para carcinomas invasores. Já no carcinoma in situ, que pode se espalhar por uma área maior, não é possível garantir que toda a lesão foi removida pela agulha.
Fase atual da pesquisa
Os achados não indicam que a técnica substitua a cirurgia convencional ou que seja indicada para todas as pacientes. O estudo é retrospectivo, e os resultados estão sendo avaliados em um ensaio clínico prospectivo de fase 2, denominado VAE Breast 01.
Além disso, testes com pacientes que passaram por quimioterapia neoadjuvante estão em andamento no estudo VAE Breast 02. A expectativa é que novas investigações definam em quais situações a abordagem percutânea pode ser segura e eficaz.
Para as pacientes, a técnica representa uma frente promissora de pesquisa, mas a decisão sobre o tratamento continua dependendo do tipo, tamanho e extensão do câncer, além da avaliação individual da equipe médica.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



