Alfabetização: ler bem vai além de decodificar palavras
Brasil superou a meta de alfabetização em 2025, mas especialistas destacam a importância da compreensão textual
O Brasil registrou avanços significativos na alfabetização infantil, alcançando 66% das crianças da rede pública alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2025, conforme o Indicador Criança Alfabetizada divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). Esse índice supera os 59% de 2024, os 56% de 2023 e a meta nacional de 64% prevista para o período. Para 2026, a meta é atingir 67%.
Embora o progresso seja importante, especialistas ressaltam que a alfabetização não se resume à decodificação de letras e palavras. A diretora pedagógica da Escola Vereda, Andréa Piloto, destaca que a formação do leitor vai além do reconhecimento do texto escrito, envolvendo a capacidade de compreender, interpretar e relacionar informações para construir sentidos e aprender.
Alfabetização e formação do leitor
De acordo com os parâmetros do MEC, ao final do 2º ano, uma criança alfabetizada deve ser capaz de ler palavras, frases e pequenos textos, localizar informações explícitas, realizar inferências básicas e produzir textos relacionados a situações cotidianas. No entanto, o desenvolvimento da leitura continua avançando, exigindo competências mais complexas ao longo da trajetória escolar.
“A alfabetização é uma base fundamental, mas não encerra o processo de formação do leitor. Conforme a criança avança, ela precisa deixar de apenas reconhecer o que está escrito para compreender, interpretar, estabelecer relações entre informações e construir sentidos. Essa evolução transforma a leitura em uma ferramenta para aprender”, afirma Andréa Piloto.
Leitura por prazer e aprendizagem
Um estudo publicado em 2023 na revista Psychological Medicine, conduzido por pesquisadores das universidades de Cambridge e Warwick, no Reino Unido, e Fudan, na China, analisou dados de mais de 10 mil adolescentes nos Estados Unidos. A pesquisa indicou que aqueles que começaram a ler por prazer mais cedo apresentaram melhores resultados em testes de aprendizagem verbal, memória, desenvolvimento da fala e desempenho acadêmico.
Além disso, o estudo encontrou associação entre a leitura prazerosa na infância e menor incidência de problemas de atenção e comportamentais. Embora o hábito de leitura não seja o único fator determinante, os resultados reforçam a importância de cultivar uma relação positiva com os livros.
Estimular a compreensão em casa
Para apoiar o desenvolvimento da compreensão leitora, é fundamental que o contato com a leitura ultrapasse a simples realização de tarefas escolares. Algumas práticas recomendadas incluem:
- Conversar com a criança sobre o que ela entendeu do texto e quais pistas encontrou;
- Incentivar a formulação de hipóteses sobre a história;
- Relacionar personagens e situações a outras experiências;
- Disponibilizar livros adequados à faixa etária e aos interesses da criança;
- Reservar momentos para a leitura sem transformar o hábito em obrigação.
“Formar um leitor significa também ajudá-lo a desenvolver autonomia para continuar aprendendo por meio daquilo que lê”, conclui Andréa Piloto.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



