Apostas online elevam inadimplência e pressionam orçamento familiar

Estudo revela aumento de 20% na inadimplência e 38,7% nos atrasos no cartão após início das apostas

O crescimento das apostas esportivas online tem impacto direto na saúde financeira dos brasileiros, segundo estudo realizado por Sérgio Firpo, professor do Insper, e pesquisadores da Stone. A pesquisa comparou pessoas que fizeram a primeira aposta após janeiro de 2025 com aquelas que nunca apostaram, revelando que, 12 meses depois do início das apostas, o nível de inadimplência entre apostadores é 20% maior.

Quando analisados especificamente os atrasos nas faturas do cartão de crédito, o aumento chega a 38,7%. Esses dados indicam que o direcionamento de recursos para plataformas de apostas compromete a capacidade de pagamento dos consumidores.

Impacto no orçamento familiar

O estudo destaca que, para um em cada dez apostadores, 20% do dinheiro que sai da conta é destinado a jogos de azar. Nos primeiros seis meses de apostas, 82,5% dos jogadores não receberam qualquer retorno financeiro, enquanto 90,8% transferiram para as plataformas mais dinheiro do que receberam no mesmo período.

Esse comportamento reduz a margem disponível para despesas essenciais, emergências e compromissos financeiros. O levantamento também aponta que os consumidores mais jovens são os que comprometem maior parte do orçamento com apostas e enfrentam maior risco de endividamento. Atualmente, cerca de 25 milhões de brasileiros participam de apostas online.

Contexto de endividamento elevado

O cenário se agrava diante do alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), indicam que, em abril de 2026, 80,9% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, o maior índice da série histórica.

Além disso, estimativas apontam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas em 2025, evidenciando o peso que esse hábito passou a representar no orçamento doméstico.

Recomendações para reorganização financeira

Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, fintech de crédito pessoal, alerta que o redirecionamento da renda para apostas pode comprometer a capacidade de pagamento do consumidor. “Quando uma parcela relevante da renda passa a ser direcionada às apostas, o consumidor reduz sua margem para lidar com despesas recorrentes e imprevistos”, destaca.

Ele ressalta que a recuperação financeira exige mais do que renegociação de dívidas, incluindo a revisão de hábitos de consumo e o estabelecimento de limites claros para o uso do dinheiro. Afonso alerta ainda para o risco de tentar recuperar perdas com novas apostas, o que pode aprofundar o desequilíbrio financeiro.

Assim, acompanhar rigorosamente as entradas e saídas financeiras, priorizar despesas essenciais e estabelecer limites para gastos são medidas importantes para preservar o orçamento, especialmente para quem já enfrenta dívidas ou atrasos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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