Canetas emagrecedoras: por que o acompanhamento é essencial

Medicamentos à base de GLP-1 reduzem o apetite, mas especialistas alertam para riscos nutricionais e perda de massa muscular sem orientação.

As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam espaço no tratamento da obesidade, mas o emagrecimento provocado pelos medicamentos à base de GLP-1 não deve ser analisado apenas pelo número na balança. Segundo a nutricionista Pammela Munique Vilela Borges (CRN-1 23035), o uso sem acompanhamento nutricional pode aumentar o risco de ingestão insuficiente de proteínas, vitaminas, minerais, fibras e líquidos.

Os medicamentos que atuam na via do GLP-1 reduzem significativamente o apetite e podem alterar a quantidade e até a preferência por determinados alimentos. O alerta é que comer menos não significa, necessariamente, comer melhor ou preservar a composição corporal.

“A medicação é uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, mas não substitui a alimentação adequada”, afirma Borges, especialista em nutrição estética, esportiva e emagrecimento.

O que pode acontecer quando a alimentação fica em segundo plano

A redução acentuada da fome pode levar a refeições muito pequenas e longos períodos sem comer. Além disso, efeitos colaterais como náusea, vômito, constipação, diarreia e sensação de estômago cheio podem fazer com que a pessoa restrinja ainda mais a alimentação.

Na prática, entre os erros apontados pela nutricionista estão pensar que não é preciso comer quando não há fome ou priorizar alimentos de baixo valor nutricional apenas porque as porções ficaram menores.

“Quando o volume alimentar diminui, cada escolha passa a ter ainda mais importância”, afirma. Por isso, a orientação é priorizar, conforme a tolerância e as necessidades de cada paciente, proteínas, vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais e boas fontes de gordura.

Perder peso não é o mesmo que preservar músculos

Outro ponto de atenção é a composição do peso perdido. Quando o emagrecimento acontece rapidamente e há grande restrição calórica, parte da perda pode envolver massa magra, e não apenas gordura.

“Não quero olhar apenas para quantos quilos o paciente perdeu, quero saber como ele está perdendo esse peso”, diz Borges. De acordo com a especialista, o consumo adequado de proteínas ao longo do dia e a prática de exercícios de força ajudam a reduzir o risco de perda muscular. Baixa ingestão proteica, sedentarismo e falta de treino de resistência podem aumentar esse risco.

Tratamento deve ser acompanhado por profissionais

O acompanhamento multidisciplinar é apontado como essencial. Enquanto o médico avalia indicação, dose, resposta clínica e efeitos adversos, o nutricionista acompanha a ingestão alimentar, a adequação de proteínas e micronutrientes e a composição corporal.

A nutricionista também destaca a importância de trabalhar comportamento alimentar, atividade física, sono e rotina desde o início do tratamento. A interrupção dos medicamentos GLP-1 pode ser seguida por recuperação de peso em parte dos pacientes, segundo Borges, o que reforça a necessidade de construir hábitos sustentáveis — e não depender exclusivamente do efeito do remédio sobre a fome.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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