Suicídio: mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta
Isolamento, desesperança e alterações no sono estão entre os sinais que pedem atenção, acolhimento e busca por ajuda profissional
Nem sempre o sofrimento emocional aparece de forma explícita. Em muitos casos, mudanças bruscas na maneira de agir, de se relacionar e de cuidar da própria rotina podem indicar que uma pessoa está enfrentando uma dor intensa. A atenção a esses sinais é um dos caminhos para fortalecer a prevenção do suicídio, tema que ganha destaque no Setembro Amarelo, mas precisa ser discutido durante todo o ano.
Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) apontam que 16.751 pessoas morreram por suicídio no Brasil em 2024 — uma média aproximada de 46 mortes por dia. Os registros não se concentram em apenas uma faixa etária: em números absolutos, foram 3.590 mortes entre pessoas de 30 a 39 anos, 3.490 entre 20 e 29 anos e 3.283 entre 40 e 49 anos. Juntas, essas faixas representam mais de 60% dos óbitos registrados no período.
Quais mudanças merecem atenção?
De acordo com o psicólogo Paulo Zago Neto, alguns comportamentos podem funcionar como sinais de alerta, especialmente quando representam uma mudança significativa em relação ao padrão habitual da pessoa. Entre eles estão:
- isolamento social e afastamento de familiares e amigos;
- perda do interesse por atividades antes prazerosas;
- alterações importantes no sono ou no apetite;
- queda no rendimento e irritabilidade;
- desesperança e falas sobre falta de sentido ou de perspectiva para o futuro.
Esses sinais não permitem, sozinhos, concluir o que alguém está vivendo. Ainda assim, mudanças bruscas na rotina ou na forma de se relacionar merecem uma conversa cuidadosa, sem julgamentos ou cobranças.
Como acolher alguém em sofrimento
O comportamento suicida não tem uma causa única. Depressão e outros transtornos mentais, perdas, conflitos familiares ou afetivos, violência, uso abusivo de álcool e outras drogas, dificuldades financeiras e profissionais, bullying, isolamento e traumas podem se combinar e agravar o sofrimento.
“Observar mudanças e perguntar como a pessoa está pode ser uma atitude fundamental. Uma conversa não coloca uma ideia na cabeça de alguém, mas pode abrir espaço para que ela fale sobre aquilo que está vivendo”, afirma Paulo.
Escutar com atenção, levar a dor a sério, reduzir o isolamento e incentivar a busca por atendimento profissional são atitudes importantes. Em uma situação de risco imediato, a orientação é procurar um serviço de emergência e não deixar a pessoa sozinha.
Onde buscar ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188. Também há atendimento por chat e e-mail no site www.cvv.org.br. Na rede pública de saúde, a assistência especializada pode ser buscada nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



