Saúde mental na velhice: tristeza não é “normal da idade”
Setembro Amarelo destaca a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional e ampliar a escuta e o cuidado na velhice
Tristeza persistente, isolamento, desesperança e perda de interesse pela vida não devem ser tratados como consequências naturais do envelhecimento. No Setembro Amarelo, a atenção à saúde mental das pessoas idosas ganha destaque justamente porque esses sinais ainda são frequentemente confundidos com o “jeito da idade”.
A discussão está alinhada ao Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro. No Brasil, a campanha Setembro Amarelo foi oficializada em todo o território nacional pela Lei nº 15.199/2025, que estabeleceu essa data como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Por que os sinais podem passar despercebidos?
Para Thaís Bento Lima, gerontóloga parceira científica do Supera – Estimulação Cognitiva, expressões como “é normal ficar triste nessa idade” e “depois de velho é assim mesmo” precisam ser questionadas.
“Naturalizar mudanças importantes de humor ou comportamento pode fazer com que um sofrimento que precisa de atenção seja percebido apenas como parte da idade”, alerta a especialista.
Viuvez, perdas de pessoas próximas, redução das redes sociais, doenças crônicas e dor persistente podem criar contextos de maior vulnerabilidade. No entanto, esses fatores não tornam o sofrimento emocional inevitável. Além disso, o estigma e o medo de julgamento podem levar a pessoa idosa a silenciar o que está sentindo.
Escuta e vínculo fazem parte da prevenção
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo. Um estudo publicado em 2025 no The American Journal of Geriatric Psychiatry, de Cray et al., observou que ainda existem poucas campanhas e materiais de prevenção desenvolvidos especificamente para pessoas idosas.
O cuidado, portanto, não deve se limitar ao mês de setembro nem recair apenas sobre as famílias. Redes de apoio, serviços de saúde, profissionais capacitados e políticas públicas são essenciais para acolher situações de sofrimento.
“Falar sobre prevenção na velhice é, acima de tudo, lembrar que envelhecer não torna o sofrimento menos importante. Pessoas idosas também precisam encontrar espaços nos quais possam falar, ser escutadas e receber cuidado quando necessário”, destaca Thaís Bento Lima.
Como oferecer apoio no dia a dia?
Algumas atitudes ajudam a manter a conexão e a perceber mudanças importantes:
- perguntar, com atenção, como a pessoa está se sentindo;
- observar alterações de humor, comportamento e participação social;
- preservar vínculos familiares, afetivos e comunitários;
- facilitar o acesso a profissionais e serviços de saúde;
- evitar minimizar a dor ou dizer que o sofrimento é “normal da idade”.
“O Setembro Amarelo oferece uma oportunidade para ampliar essa conversa, mas a atenção à saúde mental das pessoas idosas precisa continuar durante todo o ano”, conclui a especialista.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



