Culinária japonesa no Brasil divide opiniões sobre autenticidade
Pesquisa da ESPM revela diferentes percepções entre brasileiros e descendentes de japoneses sobre adaptações na gastronomia japonesa
Sushi com cream cheese, hot roll e molho de maracujá já fazem parte do imaginário gastronômico brasileiro. Mas até que ponto essas adaptações ainda são percebidas como culinária japonesa? Uma pesquisa do Centro de Estudos Aplicados de Marketing da ESPM-SP (CEAM) mostra que a resposta depende das referências culturais de quem experimenta.
Realizado com 237 consumidores de comida japonesa, o levantamento aponta que 87% dos participantes veem a culinária japonesa no Brasil como uma forma positiva de reinterpretar elementos globais. Entre as pessoas com ascendência japonesa, porém, esse índice cai para 41%.
Fusão cultural ou afastamento da tradição?
A diferença também aparece quando o assunto são os ingredientes brasileiros. Enquanto 82% da amostra consideram essa incorporação uma fusão positiva entre culturas, apenas 37% dos participantes com ascendência japonesa concordam.
Para 84% dos entrevistados, restaurantes japoneses oferecem versões “abrasileiradas” de pratos tradicionais. Outros 71% reconhecem que os cardápios incluem opções inexistentes no Japão, mas que se popularizaram no Brasil. No conjunto da amostra, 81% também concordam que a gastronomia japonesa encontrada no país combina práticas globais e preferências locais. Entre participantes com ascendência japonesa, a concordância fica em 38%.
Segundo Flávio Santino Bizarrias, coordenador do CEAM e professor do PPGA da ESPM-SP, a mesma transformação pode receber interpretações opostas. “Para o público em geral, adaptar pode significar aproximar culturas e criar novas experiências. Para os descendentes de japoneses, as mesmas mudanças podem ser percebidas como um afastamento maior das referências culinárias de origem. A adaptação cultural é uma marca da culinária brasileira, que acredita que melhora os pratos gringos”, diz.
Autenticidade também depende do olhar
Mesmo reconhecendo as adaptações, a maioria dos participantes ainda considera autêntica a culinária japonesa oferecida no Brasil. Para 76%, os ingredientes parecem próprios dessa gastronomia. Já entre pessoas com ascendência japonesa, o percentual é de 38%.
O sabor reforça o contraste: 68% da amostra afirmam que os pratos correspondem ao que consideram uma culinária japonesa verdadeira. Entre participantes com ascendência japonesa, a concordância cai para aproximadamente um terço.
A tradição, contudo, não desaparece. Cerca de 65% consideram fiel a forma de preparo e a apresentação dos pratos, enquanto 71% avaliam que os restaurantes preservam valores tradicionais. Outros 67% descrevem a experiência como genuína.
Uma experiência que começa antes da primeira mordida
Os dados indicam ainda que a autenticidade é construída por vários sentidos. Para 85% dos participantes, a aparência dos pratos é visualmente intensa; 77% dizem que a experiência transmite a essência cultural da cozinha japonesa. Decoração, utensílios, cores e organização do ambiente também entram nessa avaliação.
Sons e aspectos táteis foram considerados relevantes por 53% e 63% dos entrevistados, respectivamente. Além disso, 94% afirmam gostar de experimentar culinárias estrangeiras e 90% demonstram interesse pela cultura japonesa.
O levantamento foi feito por meio de survey online, com cotas por gênero, faixa etária, região, escolaridade e renda. Os resultados sugerem que, no Brasil, tradição e adaptação podem conviver — embora a fronteira entre fusão e descaracterização seja percebida de maneira diferente por cada público.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



