Terapia adaptativa de estimulação cerebral profunda chega ao Brasil para Parkinson
Tecnologia ajusta estímulos em tempo real com base nos sinais cerebrais para tratamento personalizado
O Brasil passa a contar com a terapia de estimulação cerebral profunda adaptativa (aDBS) para o tratamento da doença de Parkinson, uma inovação que permite ajustar a estimulação cerebral em tempo real com base nos sinais do próprio paciente. A tecnologia, lançada pela Medtronic, utiliza o sistema Percept™ RC com a plataforma BrainSense™, que capta e analisa a atividade cerebral para personalizar o tratamento.
A estimulação cerebral profunda (DBS) é indicada para pacientes que apresentam complicações motoras decorrentes da doença ou efeitos colaterais dos medicamentos, como movimentos involuntários. O neurocirurgião funcional Murilo Marinho, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, explica que a cirurgia é recomendada quando o remédio perde eficácia no controle dos sintomas ao longo do dia.
Funcionamento da terapia adaptativa
Na versão adaptativa, o dispositivo não apenas estimula o cérebro, mas também registra sua atividade continuamente, ajustando a intensidade da estimulação dentro de limites seguros definidos pelo neurologista. Essa dinâmica permite um controle mais estável dos sintomas, como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos, e melhora a qualidade de vida dos pacientes.
Atualização sem necessidade de nova cirurgia
Pacientes que já possuem o dispositivo Percept™ RC podem receber a atualização para a tecnologia adaptativa por meio de um procedimento simples no consultório, sem necessidade de nova cirurgia ou custos adicionais. O Percept™ RC é o menor dispositivo da categoria, possui bateria recarregável com duração superior a 15 anos, é compatível com ressonância magnética de corpo inteiro e é implantado de forma minimamente invasiva.
Acompanhamento especializado é fundamental
A neurologista Lorena Broseghini Barcelos, especialista em estimulação cerebral profunda no Einstein Hospital Israelita, destaca que a disponibilidade da tecnologia não dispensa o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar experiente, incluindo neurologistas especializados em distúrbios do movimento, neurocirurgiões e profissionais para programação dos dispositivos.
Segundo ela, a aDBS representa uma evolução significativa ao tornar o tratamento mais preciso, personalizado e dinâmico, adaptando-se continuamente às necessidades individuais dos pacientes.
A segurança e eficácia da terapia foram confirmadas pelo estudo clínico ADAPT-PD, publicado no periódico NPJ Parkinson’s Disease. Conforme relatos da neurologista Rachel Brant, doutora pela USP, cerca de 70% dos pacientes implantados com a tecnologia percebem melhora no controle dos sintomas e na qualidade de vida.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



