Setembro Amarelo: como acolher quem parece estar bem
Mudanças de comportamento podem indicar sofrimento emocional; veja como se aproximar, ouvir sem julgamentos e incentivar ajuda profissional.
Nem sempre quem está sofrendo emocionalmente deixa de trabalhar, estudar ou cumprir compromissos. A pessoa pode continuar sorrindo, cuidando da família e mantendo a rotina enquanto enfrenta sentimentos como desesperança, solidão, ansiedade, culpa ou esgotamento. Por isso, no Setembro Amarelo, o convite é olhar para além do “estou bem” e perceber mudanças persistentes no comportamento.
Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Psiquiatria em 2025 apontou que 25,7% dos participantes relataram ter tido pensamentos suicidas nos seis meses anteriores. No mesmo levantamento, 25,2% disseram não se sentir bem atualmente.
Quais mudanças merecem atenção?
De acordo com a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a aparência de normalidade não revela necessariamente a intensidade da dor de alguém.
“Pessoas continuam trabalhando, estudando, cuidando da família, cumprindo compromissos e até sorrindo enquanto enfrentam internamente sentimentos de desesperança, solidão, ansiedade, culpa ou profundo esgotamento emocional. Por isso, não podemos avaliar a intensidade da dor de alguém apenas pela aparência de sua vida”, explica.
Entre os sinais que podem indicar que algo não vai bem estão:
- isolamento repentino;
- perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
- alterações no sono ou na alimentação;
- irritabilidade;
- queda no rendimento.
Esses comportamentos, isoladamente, não significam necessariamente um problema de saúde mental. O alerta aumenta quando as mudanças são intensas, persistentes ou muito diferentes do funcionamento habitual da pessoa.
Como perguntar sem julgar
Perceber que alguém está diferente pode ser o primeiro passo para uma aproximação. Uma pergunta simples, feita com genuíno interesse, pode abrir espaço para a conversa: “Percebi que você está diferente ultimamente. Como você está de verdade?”.
Mais importante do que encontrar a frase perfeita é estar disponível para ouvir. Falas sobre falta de esperança, desejo de desaparecer ou morte devem ser levadas a sério. Frases motivacionais e tentativas de minimizar a dor não substituem acolhimento.
“Às vezes, acolher significa conseguir permanecer diante da dor do outro sem tentar diminuí-la”, afirma a especialista.
Cinco atitudes que podem ajudar
- Pergunte de forma direta e acolhedora.
- Escute sem críticas, comparações ou julgamentos.
- Não minimize falas sobre desesperança, morte ou desaparecimento.
- Incentive e facilite o acesso a ajuda profissional.
- Demonstre empatia pelo impacto emocional daquela situação.
Acolher não significa resolver tudo. Em situações de sofrimento intenso, permanecer por perto e ajudar a pessoa a buscar cuidado profissional pode fazer diferença. Para a professora, a prevenção não deve ficar restrita a setembro: também envolve construir relações em que falar sobre sofrimento e pedir ajuda não sejam vistos como sinais de fraqueza.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



