Mulheres CEOs no Brasil enfrentam trajetórias mais exigentes, revela estudo
Women at the Top 2026 mostra que executivas acumulam mais formação e experiências antes de chegar ao topo
Chegar à presidência de uma grande empresa no Brasil ainda é um desafio maior para as mulheres, que precisam superar exigências adicionais em comparação aos homens. Segundo o estudo Women at the Top 2026, realizado pelo Evermonte Institute, apenas 5,2% das cadeiras de CEO nas maiores empresas brasileiras são ocupadas por mulheres, refletindo uma tendência global de avanço lento na equidade de gênero em cargos de liderança máxima.
Apesar de o tempo médio para alcançar a presidência ser semelhante entre os gêneros — cerca de 18 anos —, as executivas acumulam mais formação acadêmica e experiências profissionais diversas ao longo da carreira.
Formação e trajetórias mais complexas
O levantamento revela que as CEOs mulheres possuem, em média, 2,79 MBAs e pós-graduações, enquanto os homens têm 1,43. Além disso, as mulheres passaram por mais empresas durante a carreira, com uma média de 5,12 organizações, contra 3,79 dos CEOs homens.
Priscila Schapke, sócia e headhunter da Evermonte Executive & Board Search, destaca que essas diferenças indicam a existência de barreiras implícitas que dificultam o acesso das mulheres a cargos de liderança. “O estudo mostra que as barreiras continuam existindo, muitas vezes de forma silenciosa, como filtros implícitos que operam antes mesmo da decisão de nomeação”, afirma. Para ela, a diversidade nos conselhos é importante não apenas pela presença feminina, mas pela valorização de pessoas qualificadas, independentemente do gênero.
Áreas predominantes nas trajetórias das CEOs
As áreas de finanças, negócios e operações concentram a maior parte das experiências das CEOs brasileiras. Finanças lidera com 24,76%, seguida por negócios (21,9%) e operações (20%). Juntas, essas áreas representam mais de dois terços dos perfis analisados, evidenciando a predominância de competências ligadas à gestão de resultados, estratégia e tomada de decisão.
Transformação cultural nas empresas
O estudo também inclui relatos de executivas que buscam promover mudanças dentro das próprias organizações. Rosana Fortes, Country Leader para Brasil e Sudeste Asiático do Strava, afirma que prioriza a contratação de mulheres para cargos de liderança. “É uma cultura que precisa também partir da empresa”, destaca, ressaltando que a transformação depende de processos seletivos e de promoção mais equitativos, além do esforço individual das profissionais.
O Women at the Top 2026 analisou 2.153 empresas brasileiras e avaliou 216 perfis de CEOs — 112 mulheres e 104 homens — com base em informações públicas do LinkedIn. O estudo também contou com entrevistas em profundidade com 11 executivas brasileiras, enriquecendo a compreensão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no topo das organizações.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



