Heliópolis terá refúgio verde contra o calor extremo

Projeto Brasil-Holanda transforma pátio escolar em espaço verde para estudar impactos do calor na saúde

Em meio às desigualdades urbanas que marcam São Paulo, o pátio da escola municipal EMEF Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, conhecida como Gonzaguinha, em Heliópolis, será transformado em um refúgio verde comunitário. A iniciativa faz parte do GreenCare4Health, consórcio internacional que reúne o Hospital Sírio-Libanês, USP, Insper, TU Delft e centros de pesquisa holandeses.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Organização Holandesa para a Pesquisa Científica (NWO), o projeto terá duração de cinco anos. O objetivo é investigar como a criação desse espaço verde pode reduzir o estresse térmico e gerar evidências para políticas públicas de saúde voltadas à mitigação dos efeitos do calor extremo.

Por que Heliópolis foi escolhido

Heliópolis é a maior favela do estado de São Paulo, localizada a cerca de 8 km do centro da capital, com infraestrutura precária e alta densidade construtiva. A cobertura verde no território é de apenas 1,8%, enquanto bairros como Alto de Pinheiros apresentam 38,1%. A densidade populacional chega a 2.000 habitantes por hectare, e a maioria dos espaços entre construções é ocupada, restando poucas áreas permeáveis ou sombreadas.

O pátio da escola Gonzaguinha é uma das poucas áreas abertas disponíveis e já vinha sendo usado informalmente pela comunidade como espaço de lazer nos finais de semana, indicando uma demanda reprimida por áreas verdes que o projeto pretende atender de forma permanente.

Calor extremo e saúde

O consórcio parte do reconhecimento de que o calor intenso vai além do desconforto, afetando a pressão arterial, a hidratação, a função renal e o sistema cardiovascular. Crianças pequenas e idosos são os grupos mais vulneráveis, assim como pessoas com doenças cardiovasculares, renais ou diabetes.

Um estudo publicado na revista Nature Climate Change analisou dados de óbitos em 732 cidades de 43 países e concluiu que 37% das mortes relacionadas ao calor entre 1991 e 2018 são atribuíveis ao aquecimento global de origem humana. No Brasil, as mudanças climáticas já respondem por cerca de 1% das mortes classificadas como naturais. O impacto real pode ser subestimado, pois o calor raramente aparece como causa direta nas declarações de óbito.

Pesquisa com participação da comunidade

O pátio será monitorado como um laboratório vivo, com medição climática em tempo real, participação da comunidade escolar e governança compartilhada. Pesquisadores acompanharão os efeitos da intervenção sobre temperatura, saúde física e mental, qualidade de vida e isolamento social, especialmente entre os idosos.

O Hospital Sírio-Libanês lidera o eixo de envelhecimento saudável e equidade intergeracional, que inclui avaliação geriátrica adaptada à resiliência climática, monitoramento de eventos sensíveis ao calor e ações que promovem a interação entre crianças, adolescentes e idosos.

Denise Jafet, presidente da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês, destaca: “Nossa responsabilidade com a sociedade vem desde a nossa fundação. Sempre fomos guiados pelo bem comum, pela excelência e pelo propósito de levar vida plena e digna a um número cada vez maior de pessoas. Heliópolis se junta a várias outras iniciativas em que transformamos conhecimento científico e solidariedade em saúde para quem mais precisa.”

A expectativa do consórcio é que o modelo de conversão de pátios escolares em áreas verdes possa ser replicado em outros territórios, contribuindo para políticas públicas que enfrentem o desafio do calor extremo nas cidades brasileiras.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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