Mais da metade dos fumantes tentou parar, mas só 13% tiveram tratamento

Pesquisa nacional revela desafios no acesso a apoio para cessação do tabagismo e percepção sobre riscos do cigarro eletrônico

Parar de fumar é uma meta para muitos brasileiros, mas o acesso ao tratamento adequado ainda é limitado. Segundo uma pesquisa nacional realizada entre 24 de setembro e 31 de outubro de 2025, 54,1% dos brasileiros que fumam ou já fumaram tentaram abandonar o cigarro no último ano. No entanto, apenas 13,4% relataram ter recebido algum tipo de tratamento para cessação do tabagismo nesse período.

Esses dados fazem parte da nota técnica Mais Dados Mais Saúde — Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, conduzida por Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive. A pesquisa ouviu 6.566 pessoas com 18 anos ou mais em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

Interação com profissionais de saúde e acesso ao tratamento

Entre fumantes e ex-fumantes, 69,4% afirmaram que, nos 12 meses anteriores à pesquisa, algum médico ou profissional de saúde perguntou se fumavam. Além disso, 55,1% receberam aconselhamento para parar de fumar. Apesar disso, o acesso a tratamentos específicos para cessação foi restrito, com apenas 13,4% relatando ter utilizado algum serviço ou terapia.

Além disso, somente 11,4% buscaram orientação por meio do número disponibilizado nas embalagens de cigarros, indicando uma lacuna entre a intenção de parar e o uso efetivo dos recursos disponíveis.

Luciana Vasconcelos Sardinha, diretora adjunta de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Vital Strategies, destaca que o Brasil possui políticas reconhecidas internacionalmente para controle do tabaco e estratégias de apoio à cessação no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela ressalta a importância de ampliar o conhecimento e o acesso a esses recursos para apoiar quem deseja parar de fumar.

Percepção sobre fumo passivo e cigarros eletrônicos

O estudo também revelou que 80% da população reconhece o fumo passivo como fator de risco para o câncer, embora esse índice seja menor entre os jovens de 18 a 24 anos, com 67,4% associando o fumo passivo ao câncer.

Quanto aos dispositivos eletrônicos para fumar, como os cigarros eletrônicos, 14,5% da população declarou já ter utilizado ou estar utilizando esses produtos, apesar da proibição da Anvisa para fabricação, importação, comercialização e uso desses dispositivos no Brasil.

Além disso, 86% dos entrevistados reconhecem que esses dispositivos representam risco para o desenvolvimento de câncer. No entanto, 18,4% acreditam equivocadamente que os cigarros eletrônicos podem ser usados como estratégia de redução de danos, percepção mais comum entre os jovens de 18 a 24 anos (25%).

Esses dados indicam um desafio para as políticas de controle do tabaco, especialmente para proteger os jovens da atração por esses produtos e preservar os avanços conquistados no país.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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