“Farmar aura”: quando a imagem vira busca por aprovação

Expressão popular entre jovens expõe como redes sociais, pertencimento e comparação influenciam a identidade

Você já percebeu adolescentes adotando poses e gestos para acumular uma espécie de “pontuação” social? Entre as gerações Z e Alfa, esse comportamento é conhecido como “farmar aura” — uma expressão que traduz a tentativa de fortalecer a própria imagem e conquistar admiração, principalmente no ambiente digital.

O termo combina dois conceitos: “farmar”, originado do universo dos videogames, que significa repetir ações para obter recompensas ou pontos, e “aura”, que representa o carisma, a presença ou a energia que uma pessoa transmite. Assim, “farmar aura” é agir de forma a aumentar essa energia percebida pelos outros.

O impacto da pandemia na busca por pertencimento

Para a psicóloga Maria Klien, o fenômeno vai além de uma simples expressão da internet. Ele reflete uma necessidade profunda de pertencimento e validação, intensificada pelo isolamento social da pandemia de 2020. Naquele período, muitos jovens entre 14 e 16 anos, fase crucial para a construção da identidade, tiveram suas interações sociais interrompidas.

Na psicologia, o conceito de “espelho social” explica que nos descobrimos a partir do olhar do outro. Com o afastamento social, esse espelho foi quebrado. “Quando o mundo voltou a se abrir, muitos jovens retornaram com uma fome antiga de pertencer e encontraram nas redes sociais o palco mais rápido para saciá-la”, explica Maria Klien.

Mesmo após o fim do isolamento, a dificuldade em criar e manter conexões presenciais persiste para muitos. Com as plataformas digitais assumindo papel central nas interações, cresce a ansiedade para se sentir valorizado, acompanhando tendências e evitando exclusões sociais.

Quando a persona se sobrepõe à identidade

Construir uma imagem social não é negativo por si só. O problema surge quando a aprovação externa se torna a principal fonte de valor pessoal, alimentando insegurança, comparação constante e preocupação excessiva com a aparência.

Maria Klien relaciona essa dinâmica ao conceito de “persona”, do psiquiatra Carl Gustav Jung, que representa a máscara social que cada pessoa apresenta ao mundo. Essa construção é natural, mas pode se tornar prejudicial quando a pessoa se identifica totalmente com essa máscara, perdendo contato com sua essência.

“A aura não se copia, não se farma, a aura se irradia. Ela nasce do que você é quando ninguém está olhando”, conclui a psicóloga. A reflexão não é um convite para abandonar a vaidade ou o desejo de ser admirado, mas para observar quando a busca por aprovação digital começa a definir quem alguém acredita ser.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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