Endometriose: SUS atualiza protocolo após dez anos

Nova diretriz amplia opções hormonais e reconhece diagnóstico clínico para pacientes na rede pública

O Sistema Único de Saúde (SUS) conta agora com um protocolo atualizado para o manejo da endometriose, uma doença ginecológica crônica que pode causar dor pélvica intensa, cólicas menstruais severas, dor durante as relações sexuais e infertilidade. Publicado pelo Ministério da Saúde em 1º de setembro de 2026, o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) substitui o documento anterior de 2016 e amplia as opções de tratamento hormonal disponíveis na rede pública.

Entre as principais novidades está a inclusão do desogestrel e do dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG), tecnologias incorporadas ao SUS em 2025. Os contraceptivos orais combinados e os progestágenos continuam sendo considerados tratamentos hormonais de primeira linha.

Novas opções e abordagem individualizada

O protocolo prevê que o DIU-LNG seja indicado para pacientes que apresentem contraindicação ou dificuldade de adesão aos contraceptivos orais combinados. A escolha do tratamento deve considerar fatores como intensidade dos sintomas, extensão e localização da doença, idade da paciente, desejo de engravidar e possíveis efeitos adversos.

Além dos tratamentos hormonais, o manejo da endometriose pode incluir medicamentos não hormonais, cirurgia ou a combinação dessas estratégias, com o objetivo de controlar a dor, melhorar a qualidade de vida e preservar ou restaurar a fertilidade quando desejado.

Diagnóstico presuntivo e redução do atraso

Uma mudança significativa no protocolo é a possibilidade de considerar o diagnóstico presuntivo da endometriose com base na história clínica e no exame físico, sem a necessidade obrigatória de confirmação cirúrgica por laparoscopia, que até então era considerada padrão-ouro. Essa abordagem pode ser adotada em situações selecionadas, facilitando o início precoce do tratamento.

Exames complementares, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética, também são recomendados para auxiliar no diagnóstico e no planejamento cirúrgico.

Essa atualização é especialmente relevante diante do atraso ainda observado no diagnóstico da doença, que pode variar entre 8 e 12 anos desde o início dos sintomas. O protocolo destaca a importância da identificação precoce e do encaminhamento para atendimento especializado para melhorar os resultados terapêuticos.

Impactos da endometriose e inclusão

A endometriose caracteriza-se pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, principalmente na pelve, e pode afetar diversas áreas da vida da paciente, incluindo trabalho, estudos, vida social, intimidade e bem-estar emocional.

Segundo o protocolo, a prevalência da doença no Brasil é de 6,4% entre mulheres em idade reprodutiva, podendo chegar a 34,2% entre mulheres sintomáticas atendidas em serviços especializados.

O ginecologista Dr. Rogério Felizi, coordenador do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que participou da elaboração do protocolo por meio do Proadi-SUS, destaca que a atualização representa um avanço importante ao incorporar novas opções terapêuticas e reforçar uma abordagem individualizada da doença.

O documento também reconhece que pessoas transgênero podem conviver com endometriose e reforça que as recomendações não devem resultar em exclusão ou discriminação, promovendo um cuidado inclusivo.

Com caráter nacional, o PCDT orientará estados, Distrito Federal e municípios na organização do acesso, fluxos assistenciais e procedimentos relacionados ao cuidado das pessoas com endometriose no SUS.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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