Saúde emocional protege a memória na velhice

Estresse, ansiedade, depressão e isolamento social impactam o desempenho cognitivo em idosos

Memória e atenção não dependem apenas da passagem do tempo. Estresse, ansiedade, depressão, isolamento social e a falta de estímulos intelectuais também podem influenciar a saúde cognitiva de adultos maduros e pessoas idosas. A relação não significa que o estado emocional seja, sozinho, a causa de um eventual declínio, mas mostra como diferentes dimensões da vida estão conectadas.

Segundo Thais Bento Lima-Silva, gerontóloga e doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, fatores emocionais negativos podem afetar a chamada reserva cognitiva — conjunto de recursos que ajuda o cérebro a lidar com mudanças ao longo da vida.

“Fatores emocionais negativos, como estresse, ansiedade e depressão, podem prejudicar a reserva cognitiva, enquanto o bem-estar emocional e o engajamento em atividades cognitivas e sociais podem fortalecê-la”, explica a especialista.

Isolamento social também entra nessa equação

Uma revisão de literatura conduzida por pesquisadores da USP, com participação de Thaís como coautora, avaliou 18 estudos sobre o tema. O trabalho encontrou associação entre maior distanciamento social, maior presença de sintomas de depressão e ansiedade e pior desempenho cognitivo em adultos maduros e pessoas idosas.

Na direção oposta, o envolvimento em atividades sociais e a proximidade com amigos e familiares apareceram como fatores de proteção. Conversas, grupos, encontros e atividades coletivas mobilizam habilidades como atenção, linguagem e memória, além de ajudarem a manter uma rotina mais ativa.

“Não podemos olhar para a saúde cognitiva de maneira isolada. É importante considerar aspectos emocionais, sociais e comportamentais, porque eles fazem parte da experiência de envelhecer”, afirma Thaís.

Aprender algo novo ajuda a manter o cérebro ativo

Além dos vínculos, desafios intelectuais também fazem parte da construção e da manutenção da reserva cognitiva. Aprender uma habilidade, resolver problemas, experimentar uma atividade diferente e manter contato com novidades são maneiras de estimular funções como memória, atenção, linguagem, raciocínio e planejamento.

Uma pesquisa realizada por pesquisadores da USP e publicada em 2026 acompanhou 207 pessoas idosas cognitivamente saudáveis durante dois anos. O estudo avaliou um programa multicomponente de estimulação cognitiva e observou melhorias em diferentes aspectos cognitivos, além de redução de queixas cognitivas e de sintomas depressivos.

De acordo com Thaís, os ganhos permaneceram no mês 24, mesmo após o fim do treinamento, que terminou no mês 18. Os participantes também relataram maior autoconfiança e disposição para aprender.

Saúde cognitiva é um cuidado contínuo

Para proteger o cérebro ao longo da vida, a orientação é olhar para o conjunto: sono adequado, atividade física, alimentação equilibrada, acompanhamento da saúde, convivência social e oportunidades de aprendizagem. Nenhum desses elementos funciona como garantia isolada, mas todos fazem parte de um envelhecimento mais ativo e conectado.

“Quanto mais diversificada é a nossa vida, em termos de experiências, relações e estímulos, maiores são as oportunidades de manter o cérebro ativo”, conclui a especialista.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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