Fetiche ou compulsão: quando o prazer vira risco?
Especialistas explicam como diferenciar fantasias consensuais de comportamentos que causam sofrimento ou aumentam o risco de ISTs.
Fantasias e fetiches não têm idade para aparecer — e os dados disponíveis mostram que a curiosidade por novas experiências continua presente também depois dos 45 anos. A questão principal não é o desejo em si, mas o consentimento, a capacidade de controlar o comportamento e os possíveis impactos físicos, emocionais e relacionais.
Levantamento da Sexlog, rede social adulta da América Latina, indica que 46,4% dos usuários entre 18 e 24 anos já viveram algum tipo de fantasia ou fetiche. O índice sobe para 73,8% entre pessoas de 45 a 54 anos e chega a 74,5% na faixa de 55 a 64 anos. Entre usuários com 65 anos ou mais, 71,6% relatam ter explorado fantasias ao longo da vida.
Mais experiência pode mudar a forma de viver o desejo
Para a psicóloga Mariana Ramos, professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, o passar dos anos pode trazer mais conhecimento sobre o próprio corpo e segurança para comunicar desejos ao parceiro.
“A trajetória afetiva também pode influenciar. Divórcios, novos relacionamentos e relações de longa duração com maior diálogo podem transformar a experiência sexual. Além disso, muitas pessoas que hoje estão na meia-idade ou na terceira idade cresceram em períodos de maior repressão ao tema do prazer, especialmente para as mulheres”, afirma.
Um levantamento nacional brasileiro sobre fantasias e transtornos parafílicos, publicado no Brazilian Journal of Psychiatry em 2025, identificou que 62,2% dos participantes relataram três ou mais fantasias parafílicas. Entre as mais frequentes estavam o masoquismo, o fetichismo por partes do corpo e o sadismo.
O limite está no consentimento e no impacto na rotina
Segundo Mariana, masoquismo sexual envolve excitação relacionada à submissão, sofrimento ou humilhação; sadismo sexual está associado ao sofrimento ou à submissão de outra pessoa; e o fetichismo envolve objetos, características ou partes específicas do corpo.
O sinal de alerta aparece quando a fantasia ou o comportamento ocupa a vida sexual de forma rígida ou compulsiva, provoca sofrimento intenso, interfere no trabalho e nos relacionamentos ou se torna difícil de controlar. Também é essencial diferenciar práticas entre adultos que consentem livremente de situações envolvendo pessoas sem capacidade legal ou sem disposição para consentir.
Como reduzir o risco de ISTs
A infectologista Janaína Teixeira, professora da Afya São João del Rei, destaca que não existe uma prática isolada automaticamente mais arriscada. O risco aumenta principalmente quando há falta de proteção, ausência de testagem, vacinação incompleta ou múltiplos parceiros sem preservativo.
O sexo anal pode envolver maior exposição ao HIV por causa da fragilidade da região, da presença de mucosa e da possibilidade de microtraumas e sangramentos. No uso compartilhado de brinquedos sexuais, é importante higienizá-los e evitar passar o mesmo objeto da região anal para a vaginal ou para a boca sem a limpeza adequada.
Testes para HIV, hepatites B e C e sífilis, vacinação contra hepatite B e HPV e orientação sobre PrEP e PEP são medidas de prevenção. A PrEP previne o HIV, mas não protege contra outras ISTs, como sífilis, gonorreia e clamídia.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



