NR-1 torna saúde mental prioridade estratégica nos hospitais
Atualização da norma exige monitoramento de riscos psicossociais para proteger profissionais e pacientes
A saúde mental dos profissionais de saúde ganhou destaque estratégico com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que agora exige que hospitais, clínicas e outras instituições assistenciais identifiquem, avaliem e monitorem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Essa mudança reflete a crescente preocupação com o impacto desses fatores na qualidade da assistência e na segurança dos pacientes.
Em 2025, o Brasil registrou mais de 540 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica da Previdência Social, representando um aumento de cerca de 15% em relação a 2024. Para os hospitais, esses afastamentos frequentes geram substituições emergenciais, queda na produtividade e aumento dos custos trabalhistas, comprometendo a continuidade do atendimento.
Prevenção como eixo central da gestão
André Luz, especialista em saúde mental corporativa e consultor do HCX Fmusp, destaca que a principal inovação da NR-1 é incorporar a prevenção à rotina de gestão das instituições de saúde. Segundo ele, “a NR-1 representa um divisor de águas porque estabelece que a saúde mental não é uma pauta opcional de bem-estar, mas sim um item estratégico de gestão de riscos e compliance”.
Ele ressalta que os hospitais devem substituir uma atuação reativa por uma abordagem preventiva, identificando vulnerabilidades organizacionais antes que resultem em adoecimento dos profissionais e prejudiquem a qualidade do atendimento assistencial.
Presenteísmo: um risco silencioso
Nem todo esgotamento leva a afastamentos imediatos. O presenteísmo, quando o profissional continua trabalhando mesmo estando física ou emocionalmente exausto, é um dos efeitos mais preocupantes no ambiente hospitalar. Em contextos de alta complexidade médica, o desgaste cognitivo pode reduzir a concentração, prejudicar a tomada de decisões e aumentar o risco de falhas assistenciais, afetando diretamente a segurança do paciente.
André Luz explica que “o presenteísmo é perigoso porque costuma passar despercebido pelos sistemas tradicionais de recursos humanos, já que o profissional continua batendo o ponto. No entanto, esse colaborador fatigado opera em capacidade reduzida, o que eleva a probabilidade de falhas na assistência. Ele precisa ser monitorado pelas organizações como um indicador crítico de risco”.
Ferramentas para gestão dos riscos psicossociais
Para além da percepção, a gestão eficaz dos riscos psicossociais depende do uso de metodologias que transformam informações sobre o ambiente de trabalho em indicadores concretos. Hospitais têm adotado ferramentas como o COPSOQ II (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) e o MBI (Maslach Burnout Inventory) para apoiar comitês de compliance na análise de dados relacionados a rotatividade e absenteísmo.
Esses indicadores fornecem bases auditáveis para decisões de liderança, contribuindo para uma gestão mais objetiva e preventiva. Estimativas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) indicam que os transtornos mentais podem causar perdas de até R$ 282 bilhões por ano para a economia brasileira.
Conforme André Luz, “a norma, por si só, não muda a realidade dos hospitais. O resultado aparece quando os dados orientam decisões, os líderes são preparados para lidar com esses riscos e a prevenção passa a fazer parte da rotina da operação”.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



