Estudo internacional destaca limitações do IMC na avaliação da obesidade
Pesquisa com 2.316 candidatos à cirurgia bariátrica diferencia obesidade clínica e pré-clínica
O Índice de Massa Corporal (IMC) é amplamente utilizado para avaliar a obesidade, mas um estudo internacional recente indica que ele não é suficiente para identificar quem já possui obesidade clínica — uma condição que envolve comprometimento de órgãos e limitações funcionais e que requer tratamento prioritário.
Publicado na JAMA Network Open, o estudo contou com a participação do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e analisou 2.316 candidatos à cirurgia bariátrica atendidos em centros de referência no Brasil, Reino Unido, Espanha e França.
Obesidade clínica versus obesidade pré-clínica
Os pesquisadores aplicaram aos pacientes critérios propostos pela Comissão sobre Obesidade Clínica, publicados na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, que distinguem duas condições:
- Obesidade clínica: doença já instalada, com comprometimento de órgãos ou limitações funcionais atribuíveis ao excesso de gordura;
- Obesidade pré-clínica: excesso de adiposidade com funções orgânicas preservadas.
Nos quatro centros avaliados, a obesidade clínica foi predominante, afetando entre 62,7% e 79,3% dos candidatos à cirurgia. Contudo, uma parcela significativa apresentava obesidade pré-clínica, mesmo com níveis de IMC semelhantes aos do grupo com obesidade clínica.
Os pacientes com obesidade clínica eram, em média, mais velhos e apresentavam maior carga de doenças associadas, além de riscos anestésicos, cardiovasculares e de mortalidade mais elevados. A distribuição do IMC, entretanto, foi semelhante entre os dois grupos.
Implicações para o tratamento
O estudo destaca que o IMC isoladamente não identifica quem necessita de tratamento prioritário. “Obesidade clínica é uma doença, não apenas um número na balança. O IMC não consegue dizer, sozinho, quem já está doente e precisa de tratamento prioritário, hoje, independentemente do IMC”, afirma o Dr. Ricardo Cohen, head do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e um dos autores do estudo.
Atualmente, o acesso à cirurgia bariátrica e a priorização dos pacientes são baseados principalmente em faixas de IMC e em um conjunto limitado de doenças associadas. A distinção entre obesidade clínica e pré-clínica pode oferecer uma base mais adequada para selecionar pacientes, organizar filas de espera, planejar cuidados pré e pós-operatórios e avaliar riscos e benefícios dos tratamentos, incluindo medicamentos contra a obesidade.
Novos parâmetros para avaliar o sucesso do tratamento
Para pacientes com obesidade clínica, a cirurgia metabólica e bariátrica deve ser vista como tratamento de uma doença já instalada, e não apenas como uma intervenção para perda de peso. O sucesso do tratamento deve ser medido não só pela redução de peso, mas também pela melhora da função dos órgãos, redução das doenças associadas, diminuição do uso de medicamentos, prevenção de eventos cardiovasculares e aumento da capacidade para realizar atividades diárias.
Entre os comprometimentos mais frequentes identificados estavam hipertensão arterial, alterações metabólicas, limitações funcionais e musculoesqueléticas, além de apneia obstrutiva do sono com necessidade de tratamento.
Nos casos de obesidade pré-clínica, o tratamento pode ter um papel preventivo, buscando evitar ou adiar o surgimento de complicações futuras.
Os autores ressaltam que a decisão sobre qualquer tratamento deve considerar a presença de disfunções provocadas pela obesidade, a urgência clínica, os riscos e benefícios esperados, e não apenas o peso ou o IMC.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA


