Terremoto na Colômbia agrava crise de saúde em comunidades vulneráveis
Três semanas após o tremor, moradores ainda enfrentam dificuldades para acessar serviços essenciais e reconstruir suas casas
Três semanas após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia, milhares de pessoas ainda enfrentam dificuldades para acessar cuidados médicos, apoio à saúde mental, alimentos e materiais para reconstruir suas casas. Embora cidades como Cali e Pereira tenham sido severamente afetadas, as necessidades mais críticas persistem em regiões que já conviviam com pobreza, presença de grupos armados e barreiras ao acesso à saúde.
As áreas de Quibdó e Medio Baudó, no departamento de Chocó, e Buenaventura, no Valle del Cauca, são exemplos de locais onde as condições precárias foram agravadas pelo terremoto. A geografia local, marcada por rios e montanhas, dificulta a chegada das equipes de ajuda humanitária, especialmente em comunidades indígenas e afro-colombianas historicamente negligenciadas.
Saúde mental como prioridade emergente
Entre os impactos mais evidentes do desastre estão os transtornos relacionados à saúde mental, como ansiedade, estresse agudo, hipervigilância, insônia e medo constante de tremores secundários. A incerteza sobre o futuro afeta famílias que perderam suas casas ou vivem em estruturas danificadas.
Blanca Lucila, indígena Emberá de Medio Baudó, relatou o impacto do terremoto em sua comunidade: “Na minha comunidade, três casas desabaram completamente e as outras ficaram inclinadas. Minha cabeça parece fora de controle; eu me levanto e sinto como se estivesse caindo.”
Além disso, comunidades indígenas enfrentaram enchentes causadas pela rápida elevação do rio Baudó, apenas dois dias após o terremoto, agravando ainda mais as condições de vida.
Clínicas móveis ampliam atendimento em áreas isoladas
Médicos Sem Fronteiras (MSF) avaliou cerca de dez municípios nos departamentos de Valle del Cauca, Chocó e Risaralda, instalando clínicas móveis em Buenaventura, Quibdó e Medio Baudó. A escolha priorizou locais com maiores barreiras para acesso a serviços de saúde e menor cobertura da resposta humanitária.
Em Quibdó, durante oito dias, as equipes realizaram mais de 700 atendimentos, incluindo 480 consultas médicas gerais e quase 60 consultas individuais de saúde mental, além de 15 sessões coletivas de psicoeducação com mais de 200 participantes.
Em Medio Baudó, foram realizadas mais de 140 consultas médicas em três dias. Em Buenaventura, MSF realizou quase 800 atendimentos, entre eles 600 consultas médicas gerais e 84 consultas individuais de saúde mental, além de 59 sessões em grupo que alcançaram 750 pessoas.
Necessidade urgente de reconstrução
Além do atendimento médico, muitas famílias ainda precisam de materiais para reparar ou reconstruir suas casas. Em Buenaventura, Sebastián Cundumí relatou que encontrou sua casa destruída ao retornar da pesca. Sua vizinha, Luz Hernecia Rojas, passou a dormir na sala da casa da filha, que também foi afetada.
Segundo Siham Hajaj, coordenador-geral de MSF na Colômbia, “essa emergência escancarou as desigualdades que já existiam antes do terremoto”. A organização mantém ações de apoio psicossocial, vacinação, suporte nutricional e acesso à água potável, além de atividades recreativas e de saúde mental para crianças em Buenaventura.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



