Redes sociais impactam saúde mental de forma distinta por idade
Comparação, dificuldade de desconectar e isolamento afetam adolescentes, adultos e idosos de maneiras diferentes
As redes sociais exercem efeitos variados sobre a saúde mental, dependendo da faixa etária e da forma como são utilizadas. Entre adolescentes, a comparação constante com colegas e influenciadores, além da busca por aprovação, pode gerar ansiedade e afetar a autoestima. Para adultos, a dificuldade de separar o tempo pessoal do profissional, com mensagens e interações que invadem o descanso, é um desafio crescente. Já para os idosos, as plataformas digitais podem aproximar familiares e amigos, mas o uso excessivo pode substituir o convívio presencial, aumentando o risco de isolamento.
Segundo a psicóloga Suellen Martins, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o impacto das redes sociais está relacionado ao tipo de relação que cada pessoa estabelece com elas. “Duas pessoas podem passar o mesmo número de horas na internet e ter experiências completamente diferentes. É preciso observar o que está sendo consumido e, principalmente, o que acontece depois. Se o uso começa a afetar o sono, os relacionamentos ou a forma como a pessoa se enxerga, é um sinal de que essa relação precisa ser revista”, destaca.
Pressão e busca por apoio entre adolescentes
Para os jovens, as redes sociais frequentemente exibem versões idealizadas de vidas, com corpos, viagens e conquistas que podem gerar comparações prejudiciais. Curtidas, comentários e seguidores funcionam como indicadores de aceitação, aumentando a pressão para corresponder a expectativas sociais.
Por outro lado, a internet também é um espaço importante para buscar apoio emocional. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 indicam que 41% dos usuários entre 11 e 17 anos afirmam que a internet os ajudou a lidar com problemas de saúde. Entre os jovens de 15 a 17 anos, 38% relataram ter procurado ajuda ou conversado sobre emoções quando estavam tristes, percentual que cai para 17% entre os de 11 a 12 anos. A busca por apoio é maior entre meninas (33%) do que entre meninos (26%).
Desafio da desconexão na vida adulta
Na fase adulta, a convivência com as redes sociais é marcada pela dificuldade de separar o tempo de trabalho do pessoal. Mensagens profissionais, notícias e interações sociais dividem o mesmo espaço digital, prolongando a conexão para além do expediente.
O problema surge quando a disponibilidade constante deixa de ser uma escolha e se torna uma exigência, afetando o sono, o humor e o engajamento em outras atividades.
Idosos: conexão digital e risco de isolamento
Para os idosos, as redes sociais podem ser uma ferramenta valiosa para manter vínculos com familiares e amigos, especialmente quando encontros presenciais são mais difíceis. Contudo, quando o contato virtual substitui quase completamente as interações presenciais, a mesma ferramenta que aproxima pode contribuir para o isolamento social.
“O alerta não está em usar ou não usar redes sociais. Está na mudança de comportamento. Quando a pessoa deixa de dormir bem, abandona atividades, se isola, fica mais irritada ou passa a verificar as plataformas de forma compulsiva, o uso deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e passou a interferir na rotina”, explica Suellen Martins.
Durante o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, observar essas mudanças comportamentais pode ajudar a identificar sinais de sofrimento. A psicóloga ressalta que as redes sociais não devem ser vistas como causa isolada dos problemas de saúde mental, mas como um fator que pode influenciar o bem-estar emocional.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



