Obesidade reduz chances de emprego e afeta qualidade de vida, aponta estudo
Pesquisa britânica destaca menor participação no mercado de trabalho e reforça a importância da prevenção e tratamento integrado
A obesidade impacta não apenas a saúde física, mas também a participação no mercado de trabalho. Pesquisa conduzida pela Universidade de York e apresentada no Congresso Internacional de Obesidade, realizado no México, estima que mais de 600 mil britânicos em idade produtiva estejam fora da força de trabalho devido aos efeitos da obesidade.
O estudo aponta que pessoas com obesidade têm 4,2 pontos percentuais menos chance de estarem empregadas, mesmo após considerar outros fatores socioeconômicos. Isso indica uma associação entre a condição e a menor participação no mercado profissional, sem afirmar incapacidade para o trabalho.
Consequências que vão além da saúde
Para a nutricionista Brunna Boaventura, PhD com pós-doutorado em obesidade vinculado à Harvard Medical School, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica que afeta mobilidade, disposição física, saúde mental, renda e qualidade de vida.
“A obesidade não aumenta apenas o risco de doenças cardiovasculares, diabetes ou problemas osteomusculares. Ela pode comprometer a mobilidade, reduzir a disposição física e afetar a saúde mental, fatores que impactam diretamente a capacidade de trabalhar e de permanecer economicamente ativo”, explica.
Brunna também destaca que o preconceito nas relações profissionais contribui para a menor participação no mercado de trabalho. “O estudo mostra uma associação entre a obesidade e menor participação, envolvendo complicações clínicas e o preconceito ainda presente nas relações profissionais”, observa.
Cenário brasileiro e desafios
No Brasil, mais de 60% dos adultos estão acima do peso, segundo dados do Ministério da Saúde. Nas capitais, a obesidade aumentou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, conforme o sistema Vigitel.
O estudo britânico identificou que o impacto da obesidade no mercado de trabalho foi mais acentuado entre os homens, atribuindo isso a limitações físicas e discriminação. O avanço do excesso de peso no Brasil torna a discussão relevante para toda a sociedade.
Prevenção e tratamento integrados
Brunna ressalta que medicamentos como os agonistas de GLP-1 são ferramentas importantes para pacientes com indicação clínica, mas não substituem hábitos saudáveis, acompanhamento multiprofissional e políticas que facilitem o acesso a alimentação de qualidade e atividade física.
“Durante muito tempo, a obesidade foi vista como um problema individual. Hoje sabemos que ela afeta famílias, empresas, sistemas de saúde e a economia. Quanto mais cedo houver prevenção e tratamento adequado, maiores serão os benefícios para toda a sociedade”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



