Turismo de fronteira busca transformar passagem em permanência
Evento debate como turismo, gastronomia, hospedagem e free shops podem ampliar o tempo de visita e fortalecer negócios nas cidades de fronteira.
Milhares de pessoas atravessam diariamente as fronteiras brasileiras, mas a proposta discutida em um evento na região Sul é fazer com que esse público não esteja apenas de passagem. A integração entre turismo, gastronomia, hospedagem, comércio, serviços, eventos e lojas francas foi apresentada como caminho para ampliar a permanência dos visitantes e movimentar pequenos negócios.
O debate ocorreu na quinta-feira, 27, durante a programação do “Construção do Futuro nas Fronteiras”, realizado pelo Sebrae Nacional e pelo Sebrae/PR na trifronteira formada por Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina. O evento segue até sábado, 29, com discussões sobre o desenvolvimento das regiões fronteiriças.
De passagem a destino turístico
Luiz Antonio Rolim de Moura, coordenador de Mercado Empresarial do Sebrae/PR, destacou o desafio de fazer a circulação de pessoas gerar efeitos em diferentes setores da economia local.
“Precisamos criar condições para que esses territórios deixem de ser apenas locais de passagem. Quando conseguimos integrar turismo, comércio, serviços, lojas francas, gastronomia, hospedagem, transporte e eventos, ampliamos as possibilidades de permanência e consumo do visitante. Esse movimento fortalece uma cadeia de negócios e faz com que a circulação de pessoas gere mais oportunidades e desenvolvimento para a região”, afirmou.
A experiência de Foz do Iguaçu (PR) foi citada como exemplo de integração entre diferentes atrativos. Marcelo Valente, da Loumar Turismo, explicou que o destino passou a conectar gastronomia, hotelaria, compras e passeios, considerando também as características de Puerto Iguazú, na Argentina, e Ciudad del Este, no Paraguai.
“Foz do Iguaçu começou a aumentar a recorrência e o tempo de permanência quando passou a pensar a região como um conjunto de experiências. Gastronomia, hotelaria, atrativos e compras passaram a se complementar, respeitando também as características de Puerto Iguazú e Ciudad del Este. Há alguns anos, o visitante permanecia em média dois dias; hoje, já caminhamos para quatro dias e meio e até cinco dias, resultado dessa integração e das experiências oferecidas”, relatou Marcelo.
Free shops podem movimentar outros setores
As lojas francas também foram tema da discussão. Patrícia Feldman, da Diamond Duty Free, em Dionísio Cerqueira, ressaltou que o fluxo gerado pelas compras pode ser conectado a outros negócios e experiências da região.
“Quando existe integração entre os negócios e o território está preparado para receber esse consumidor, criamos oportunidades para que outros setores também sejam beneficiados e para que toda a região se fortaleça”, destacou Patrícia.
A empresária Talita Casagrande comentou que atuar em dois países exige adaptação a legislações, culturas, variações cambiais e perfis de consumidores diferentes. Para ela, conhecer o cliente, capacitar equipes e construir relações de confiança são essenciais para o sucesso.
Luciana Aguiar, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Socioeconômico Inclusivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, afirmou que o desenvolvimento das regiões de fronteira deve integrar as dimensões econômica, social e ambiental, gerando oportunidades para quem vive nesses territórios.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



