Resíduos têxteis ganham nova vida como matéria-prima na indústria

Incofios reaproveita 97,3% dos resíduos gerados em 2025, mostrando avanços na circularidade do setor

O setor têxtil, tradicionalmente um dos maiores geradores de resíduos industriais, está passando por uma transformação importante ao reaproveitar materiais antes descartados. Resíduos como capas de fardo, estopas e embalagens, que antes eram tratados como perdas, agora são incorporados como matéria-prima, contribuindo para a redução do volume enviado a aterros e para a diminuição da extração de recursos naturais.

De acordo com pesquisa do Sebrae realizada em abril de 2023, o Brasil produz cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis anualmente, mas apenas 20% desse total é reciclado. O restante, mais de 130 mil toneladas, acaba em lixões e aterros sanitários, evidenciando um desafio ambiental significativo para o setor.

Incofios: exemplo de circularidade na prática

Um caso emblemático dessa mudança é a Incofios, empresa brasileira de fiação de algodão com cinco unidades produtivas localizadas entre Santa Catarina e Mato Grosso. Em 2025, a companhia reciclou ou reaproveitou 97,30% dos 1.512.799,16 quilos de resíduos gerados em suas plantas, o que representa uma redução de 24,7% no volume total de resíduos em comparação ao ano anterior. Apenas 2,7% do material foi destinado a aterros sanitários.

Parte dos resíduos da fiação é transformada em briquetes que servem como biocombustível para caldeiras, enquanto estopas limpas, materiais de varredura, sucatas e papelão são encaminhados para reciclagem ou comercialização, conforme o tipo de resíduo.

Edson Augusto Schlogl, diretor geral da Incofios, destaca que o reaproveitamento de resíduos é uma prática incorporada à cultura da empresa: “Trabalhamos com uma metodologia de organização que garante destino correto para cada tipo de resíduo gerado na fiação, da capa de fardo até a embalagem que sai da fábrica. Quando esse cuidado vira rotina, o resultado aparece nos números”.

Redução do uso de papelão na logística

A empresa também adotou medidas para diminuir o consumo de materiais na logística. Em 2025, o volume de fios enviados de forma paletizada, substituindo as caixas de papelão, cresceu 31,34% em relação a 2024. Essa mudança evitou o uso de mais de 103 mil caixas, além de reduzir o consumo de mais de 108 mil quilos de papelão e 18,5 mil quilos de plástico.

Pressões regulatórias e iniciativas do setor

Na União Europeia, a coleta seletiva de resíduos têxteis tornou-se obrigatória em todos os Estados-Membros desde janeiro de 2025. Em setembro do mesmo ano, uma nova diretiva instituiu a responsabilidade do produtor para têxteis e calçados, exigindo que as empresas financiem e organizem a gestão do fim de vida dos produtos. Essa medida deve influenciar cadeias produtivas globais, incluindo as que exportam para o mercado europeu.

Além da reciclagem industrial, o setor têxtil tem explorado outras estratégias, como iniciativas de upcycling que transformam retalhos em produtos de maior valor agregado, parcerias com cooperativas para reaproveitamento de resíduos e programas de logística reversa junto a fornecedores e clientes. A combinação dessas ações tem permitido reduzir significativamente o volume de resíduos que deixam as fábricas.

Essas práticas demonstram que a sustentabilidade na indústria têxtil depende de planejamento e compromisso para garantir o destino adequado de cada material, evitando que se tornem descarte e contribuindo para uma economia mais circular.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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