IA amplia investigação precoce do Alzheimer por ressonância magnética

Tecnologia mede estruturas cerebrais ligadas à memória e complementa avaliação médica

As alterações cerebrais associadas ao Alzheimer podem surgir antes dos sintomas clássicos, como esquecimentos frequentes e desorientação, se manifestarem. Nesse período inicial, a Inteligência Artificial (IA) aplicada à ressonância magnética tem se destacado como uma ferramenta valiosa para apoiar a investigação médica.

Esses sistemas analisam diferentes estruturas do cérebro, calculam seus volumes e comparam os resultados com padrões esperados para pessoas da mesma idade e sexo. Assim, transformam informações visuais em medidas objetivas que complementam a avaliação feita por neurologistas e radiologistas.

Volumetria cerebral automatizada

Uma das principais aplicações da IA é a volumetria cerebral automatizada. A partir das imagens de ressonância magnética, algoritmos segmentam regiões específicas do cérebro e calculam seus volumes. O hipocampo, região diretamente ligada à memória, é uma das áreas de interesse, especialmente relevante na investigação de doenças neurodegenerativas.

Quando exames anteriores estão disponíveis, a tecnologia permite comparar os volumes ao longo do tempo, auxiliando o especialista a identificar se há alterações significativas nas estruturas cerebrais.

Um exemplo dessa aplicação é o Agent Neuro, plataforma desenvolvida pela Entelai, healthtech especializada em IA para diagnóstico por imagem. A solução já é utilizada em hospitais e clínicas no Brasil e possui certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

IA como ferramenta complementar

Apesar dos avanços, uma alteração detectada pela IA não significa que o paciente tenha Alzheimer. O cérebro sofre modificações naturais ao longo da vida, e o diagnóstico de doenças neurodegenerativas depende da análise integrada de múltiplos dados, incluindo histórico clínico, testes cognitivos, exames laboratoriais, métodos de imagem e biomarcadores quando indicados.

Segundo Mauricio Farez, neurologista, CEO e cofundador da Entelai, “não estamos falando de um algoritmo dizendo que determinado paciente tem Alzheimer. Estamos falando de oferecer ao especialista mais informações sobre aquele cérebro”. A tecnologia, portanto, acrescenta uma camada objetiva à interpretação médica, sem substituir o julgamento clínico.

Importância da detecção precoce

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 57 milhões de pessoas viviam com demência em 2021, com quase 10 milhões de novos casos anuais. O Alzheimer é a forma mais comum, representando cerca de 60% a 70% dos casos.

Embora ainda não haja cura para o Alzheimer, identificar alterações em fases iniciais amplia as possibilidades de investigação, acompanhamento e planejamento do cuidado. Pesquisas recentes, incluindo um estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia com mais de 2 mil participantes, têm explorado o uso da ressonância magnética combinada com aprendizado de máquina para reconhecer padrões associados à progressão do comprometimento cognitivo leve para demência.

Farez destaca que o objetivo da IA é fornecer informações adicionais para a análise médica, reforçando que o diagnóstico continua dependendo da avaliação clínica individualizada.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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