Gravidez aos 48: maternidade e menopausa em foco

A gestação após os 40 anos cresce no Brasil e coincide com a transição menopausal, exigindo atenção integrada à saúde da mulher.

A gravidez da jornalista Maju Coutinho aos 48 anos colocou em evidência uma realidade crescente: a maternidade após os 40 anos ocorre em uma fase que coincide com a transição para a menopausa em muitas mulheres. Essa sobreposição exige uma abordagem integrada que considere a saúde reprodutiva, cardiovascular e o bem-estar profissional.

Um estudo colaborativo entre a Faculdade de Medicina de Jundiaí, a Faculdade de Medicina do ABC, a Universidade de São Paulo e a Universidade de Pavia, publicado na revista Climacteric, aponta que a idade média em que a mulher brasileira entra na menopausa é de 48 anos. A pesquisa, realizada com 1.500 mulheres entre 45 e 65 anos, também identificou que a irregularidade menstrual começa, em média, aos 46 anos. Em contraste, a referência internacional adotada pela International Menopause Society e pela The Menopause Society é de 51 anos.

Isso significa que uma gestação aos 45, 46 ou 48 anos pode coincidir com as alterações hormonais típicas da transição menopausal, embora gravidez e menopausa sejam condições distintas. A ginecologista Fabiane Berta destaca que essa situação representa uma nova categoria clínica que ainda não está plenamente contemplada na medicina brasileira.

Maternidade tardia em crescimento no Brasil

Dados do Registro Civil do IBGE mostram que o número de partos entre mulheres com 40 anos ou mais aumentou de 57.983 em 2003 para 106.263 em 2022, um crescimento de 83%. Esse é o maior aumento entre todas as faixas etárias e o único grupo que apresentou alta no período.

O adiamento da maternidade está relacionado a fatores como formação acadêmica, carreira profissional, escolha de parceiro, planejamento financeiro e preservação da fertilidade. Maju Coutinho, por exemplo, já havia divulgado a decisão de congelar óvulos aos 37 anos.

Segundo a Dra. Fabiane Berta, o que importa nesse movimento não é apenas a idade, mas a intenção e o cuidado com a saúde. Ela relata que muitas mulheres nessa faixa etária chegam ao consultório com exames atualizados, monitoramento do sono e atenção à força muscular, buscando estar aptas para a maternidade.

Riscos e cuidados individualizados

Embora a possibilidade de engravidar em idade avançada exista, os riscos aumentam. O consenso do American College of Obstetricians and Gynecologists indica que, em comparação com mulheres de 35 a 39 anos, o risco de pré-eclâmpsia é 32% maior entre 40 e 44 anos e mais que dobra a partir dos 45 anos. Também há maior incidência de diabetes gestacional, cesariana, prematuridade, aneuploidias e redução da reserva ovariana.

Por isso, a avaliação pré-concepção deve ser individualizada, incluindo aspectos cardiovasculares, metabólicos, tireoidianos e reprodutivos. A médica ressalta que o risco não é uma sentença, mas uma informação para decisões mais conscientes.

Gestação como indicador da saúde futura

Um documento da American Heart Association, publicado na revista Circulation, relaciona complicações gestacionais como hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e prematuridade a um maior risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida. Quando a gravidez ocorre perto dos 50 anos, essa avaliação ganha ainda mais importância, pois se aproxima do período pós-menopausa, quando o risco cardiovascular feminino aumenta.

A Dra. Fabiane Berta destaca que a gestação tardia funciona como um exame de estresse que revela informações valiosas para o acompanhamento da saúde da mulher na menopausa e além.

Desafios profissionais e institucionais

Além dos aspectos médicos, a maternidade tardia traz desafios profissionais. Pesquisa da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas aponta que 48% das mulheres estão fora do trabalho 12 meses após o início da licença-maternidade, índice que se mantém nos dois anos seguintes.

A sobreposição entre maternidade, amamentação, privação de sono e transição menopausal exige políticas e cuidados que considerem a experiência real das mulheres, evitando avaliações que desconsiderem essas múltiplas demandas.

Para a especialista, a integração entre obstetrícia e medicina da menopausa é fundamental para atender às necessidades dessa nova realidade da mulher brasileira.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 13 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar