Esclerose múltipla pode afetar a respiração; entenda
Além do equilíbrio e da marcha, a doença pode comprometer músculos respiratórios e exige acompanhamento individualizado e multidisciplinar.
A esclerose múltipla não compromete apenas a marcha, o equilíbrio e a coordenação motora. A doença também pode afetar, de forma gradual e muitas vezes sem sintomas evidentes, a musculatura responsável pela respiração. Essa relação ganha destaque com a proximidade do Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto.
Segundo o neurologista Edson Issamu, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, esse aspecto ainda recebe pouca atenção. “A esclerose múltipla é conhecida pelos impactos na marcha, no equilíbrio e na coordenação, mas a doença pode atingir diferentes grupos musculares, incluindo aqueles envolvidos na respiração. Muitas vezes, essa alteração ocorre de forma gradual e sem sintomas evidentes, o que reforça a importância de avaliações periódicas e do acompanhamento multidisciplinar”.
O papel da fisioterapia na preservação da funcionalidade
A fisioterapia desempenha um papel fundamental na manutenção da funcionalidade dos pacientes com esclerose múltipla. Além do fortalecimento muscular e do treino de equilíbrio e marcha, exercícios específicos podem ser direcionados à musculatura respiratória, conforme a avaliação individual de cada paciente.
O fisioterapeuta Luis Carlos Gomes, também da Rede de Hospitais São Camilo, destaca que a intervenção deve ser personalizada e iniciada o quanto antes. “O objetivo é preservar a autonomia pelo maior tempo possível. Trabalhamos força, equilíbrio, mobilidade, condicionamento e, quando necessário, a musculatura respiratória. Pequenas perdas funcionais identificadas precocemente podem ser tratadas antes de gerarem impactos maiores na rotina do paciente”.
Cuidados essenciais no acompanhamento
As estratégias de cuidado variam conforme a avaliação médica e fisioterapêutica, mas podem incluir:
- Manter-se fisicamente ativo: exercícios orientados para trabalhar força, resistência, equilíbrio, coordenação e flexibilidade.
- Treinar marcha e equilíbrio: atividades específicas para preservar a segurança ao caminhar e realizar tarefas diárias.
- Fortalecer a musculatura: o treino deve considerar o nível de comprometimento e a resposta individual ao esforço.
- Incluir exercícios respiratórios quando indicados: o treinamento da musculatura inspiratória e expiratória pode melhorar a força respiratória e alguns parâmetros pulmonares.
- Investigar alterações respiratórias antes da falta de ar: pois essas podem surgir sem sintomas evidentes no início.
- Controlar a fadiga: o exercício deve respeitar os períodos de maior cansaço e ser ajustado individualmente.
A importância do acompanhamento contínuo
Estudos recentes indicam que o treinamento respiratório pode reduzir medidas de fadiga em pessoas com esclerose múltipla, embora os resultados variem conforme os métodos utilizados. Por isso, essa prática deve ser vista como um complemento à reabilitação, e não como substituta do tratamento neurológico ou da avaliação individualizada.
O acompanhamento regular com neurologista e fisioterapeuta permite monitorar mudanças na mobilidade, força, equilíbrio e função respiratória, ajustando as estratégias conforme surgem novas limitações. Instituído pela Lei nº 11.303, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a doença e reforçar a importância do diagnóstico e do cuidado contínuo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



