Mulheres são maioria na Medicina, mas enfrentam barreiras na carreira
Demografia Médica no Brasil 2025 revela desigualdade entre especialidades e na liderança feminina
As mulheres conquistaram uma presença majoritária nos cursos de Medicina no Brasil, mas essa predominância não se reflete igualmente em todas as especialidades médicas nem nas posições de liderança. Conforme dados da Demografia Médica no Brasil 2025, elaborada pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira (AMB), as mulheres representavam 61,8% dos matriculados em Medicina em 2023, um aumento em relação aos 53,7% registrados em 2010.
Entretanto, essa presença feminina está concentrada em apenas 20 das 55 especialidades médicas existentes. A Dermatologia lidera com 80,6% de participação feminina, demonstrando que a distribuição entre áreas ainda é desigual. Essa realidade evidencia a chamada segregação horizontal, quando homens e mulheres se concentram em diferentes áreas de atuação.
Desafios na ascensão profissional
Além da segregação horizontal, há a segregação vertical, que se manifesta quando mulheres, mesmo presentes em determinada profissão, enfrentam maiores obstáculos para alcançar cargos de liderança, gestão e reconhecimento. Assim, a presença numérica não garante acesso igualitário aos espaços de decisão e prestígio.
Essas desigualdades começam a se formar ainda na trajetória educacional e profissional, influenciadas por fatores sociais e culturais, além das responsabilidades historicamente atribuídas às mulheres, como a maternidade. A desigualdade na divisão dos cuidados familiares e das tarefas domésticas pode limitar a disponibilidade feminina para cursos, especializações e oportunidades de crescimento na carreira.
Importância das referências e da educação
O acesso a modelos femininos em diversas áreas e a informações sobre possibilidades profissionais é fundamental para ampliar os horizontes das meninas e jovens, permitindo que suas escolhas sejam baseadas em interesses e potencialidades, e não em limitações sociais. A educação desempenha papel crucial ao preparar essas jovens para o futuro profissional, fortalecendo sua autonomia, confiança e competências para ocupar diferentes espaços.
Segundo Sonia de Almeida, diretora executiva da Afesu, é necessário ir além de incentivar a entrada das mulheres no mercado de trabalho, criando caminhos para que elas permaneçam, cresçam e liderem. A presença feminina na saúde é uma realidade consolidada, mas o desafio é garantir que essa presença se traduza em oportunidades equilibradas de formação, especialização, reconhecimento e liderança.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



