Keila Prado estreia na ficção com romance sobre a avó

Em “Filhos das Dores”, autora transforma memórias da família em ficção e reflete sobre mulheres, cuidado e o que permanece na oralidade.

Depois de mais de 20 anos ajudando outras pessoas a colocar suas histórias no papel, Keila Prado Costa decidiu olhar para dentro da própria família. A autora lança nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, Filhos das Dores, seu primeiro romance, inspirado na trajetória da avó, Maria das Dores.

Publicado exclusivamente em formato digital pela Amazon KDP, o livro parte de memórias familiares preservadas principalmente pela oralidade. Em vez de simplesmente registrar lembranças, Keila transforma esse material em ficção para acompanhar diferentes gerações de mulheres, suas repetições, mudanças e formas de permanecer na memória.

Um livro nascido entre memória e cuidado

A escrita do romance ganhou urgência em 2025, quando a autora acompanhou a internação e os cuidados paliativos da tia, Nelci. Com síndrome de Down, Nelci viveu toda a vida ao lado da família. A experiência mudou a maneira como Keila enxergava o tempo, a memória e o próprio ato de contar uma história.

Esse período atravessou diretamente o livro que ela já vinha escrevendo sobre a avó. A partir daí, Filhos das Dores passou a reunir não apenas uma trajetória individual, mas também perguntas sobre quem é lembrado, como uma família escolhe contar seu passado e quais histórias acabam ficando fora dos livros.

“Escrevi para os outros por mais de 20 anos. Filhos das Dores é o momento em que decido que minha história — e a da minha avó — também merece existir em livro”, diz Keila.

Da tradição oral à literatura

Formada em Letras pela Universidade de São Paulo, Keila é filha de trabalhadores rurais e operários de Guarulhos. Foi a primeira mulher da família a ingressar em uma universidade pública e, antes de se dedicar aos livros, cresceu em contato com histórias contadas em voz alta, que nem sempre chegavam ao papel.

Ao longo da carreira, assinou mais de dez livros, principalmente de não ficção, e participou da estruturação de 53 títulos publicados pela KPMO, editora-boutique da qual é sócia-diretora. O novo romance marca, portanto, uma mudança de posição: pela primeira vez, a matéria-prima de sua escrita é a própria família.

Com a estreia, Keila leva para a ficção personagens, lembranças e experiências que sobreviveram porque continuaram sendo contadas. Filhos das Dores chega ao público como uma narrativa sobre herança afetiva, passagem do tempo e o direito de transformar memórias de mulheres em literatura.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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