Transplante de coração: quem tem direito a um novo órgão?
Caso Faustão ajuda a entender critérios de prioridade, avaliação médica e desafios para ampliar os transplantes cardíacos no Brasil.
O transplante de coração realizado pelo apresentador Fausto Silva, conhecido como Faustão, trouxe à tona dúvidas comuns sobre quem pode receber um novo órgão, como funciona a fila de espera e por que nem sempre o paciente que aguarda há mais tempo é o próximo da lista.
Segundo o professor Alexandre Siciliano, membro da Academia Nacional de Medicina, o procedimento é indicado principalmente para pacientes com insuficiência cardíaca avançada, quando outras formas de tratamento já não oferecem uma perspectiva razoável de sobrevida e qualidade de vida. Ter um coração “fraco” isoladamente não determina a indicação para o transplante.
Avaliação médica completa antes do transplante
Antes de indicar o transplante, a equipe médica verifica se foram utilizadas, sempre que possível, as melhores alternativas disponíveis, como medicamentos, dispositivos implantáveis, intervenções por cateter ou cirurgias convencionais. Só então é feita a análise sobre a necessidade do transplante ou de outras terapias avançadas.
A avaliação do paciente é ampla e inclui não apenas o coração, mas também órgãos como pulmões, rins e fígado, além da presença de infecções, câncer e outros fatores que possam interferir no resultado. Aspectos nutricionais, psicológicos e sociais também são considerados.
“O transplante não termina na operação: ele exige acompanhamento e uso rigoroso de medicamentos pelo resto da vida”, destaca o professor Siciliano, ressaltando a importância da preparação e do acompanhamento contínuo.
Critérios para prioridade na fila de espera
A ordem de chegada não é o único critério para receber um coração. O Sistema Nacional de Transplantes considera fatores como:
- gravidade e urgência clínica;
- compatibilidade sanguínea;
- características do doador e do receptor;
- tempo de espera.
Essa combinação busca direcionar o órgão ao paciente com maior necessidade e compatibilidade no momento da doação.
Desafios para ampliar os transplantes no Brasil
De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes de 2025, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, foram realizados 427 transplantes cardíacos no país naquele ano. No entanto, esse número pode não refletir toda a demanda, pois há pacientes potencialmente elegíveis que não chegam a ser avaliados por centros especializados.
A desigualdade regional também impacta o cenário. Para que um coração chegue ao paciente, é necessário que toda a cadeia funcione: identificação do doador, diagnóstico de morte encefálica, autorização da família, equipes preparadas e transporte adequado. Em um país continental como o Brasil, tempo e distância são fatores determinantes para o sucesso do transplante.
Tecnologias como perfusão mecânica, que preservam o coração durante o transporte, pesquisas com doadores após morte circulatória, novas formas de monitorar a rejeição do órgão e estudos sobre xenotransplante (órgãos de animais geneticamente modificados) são algumas das frentes que podem ampliar as possibilidades no futuro.
O caso de Faustão reforça que o transplante é muito mais do que uma cirurgia: é resultado de avaliação médica rigorosa, organização, tecnologia, logística e, principalmente, da doação. “O maior avanço do transplante cardíaco continua sendo transformar uma situação com pouca perspectiva de sobrevivência em anos e muitas vezes décadas de vida com qualidade”, conclui o professor Siciliano.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



