TDAH infantil: diagnóstico vai além da desatenção, dizem especialistas

Evento em Porto Alegre destacou avaliação clínica e atuação multiprofissional no tratamento do TDAH

O diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças deve ir além da simples identificação de sintomas como desatenção e hiperatividade. Essa foi uma das principais conclusões do segundo dia da 1ª Jornada de Desenvolvimento Infantil Prof. Ricardo Halpern, realizada em 22 de agosto no Teatro Unisinos, em Porto Alegre.

Promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), o evento reuniu especialistas de diferentes áreas da saúde para discutir avaliação, diagnóstico, tratamento e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento, com foco especial no TDAH e na importância da atuação multiprofissional.

Diagnóstico do TDAH exige análise contextualizada

Durante o primeiro painel, moderado pelo médico José Paulo Ferreira, foram abordados critérios diagnósticos, instrumentos de avaliação e diagnóstico diferencial do TDAH. O pediatra Renato Santos Coelho destacou a necessidade de uma avaliação que considere as funções executivas e as competências individuais da criança.

“Há uma tendência agora de se olhar o TDAH de uma maneira mais dimensional, sair dos sintomas e ir para uma situação mais específica de cada indivíduo, não só olhar os déficits, mas também as competências”, explicou Coelho.

O médico Francisco Scornavaca ressaltou que o diagnóstico é essencialmente clínico e deve levar em conta a idade e o contexto da criança. Josemar Marchezan reforçou que escalas qualificam a avaliação, mas não substituem o diagnóstico clínico. A médica Amanda Colognese Pelizzer enfatizou a importância de reunir informações de pais, professores e outros profissionais para uma compreensão ampla do quadro.

“Reduzir o TDAH a desatenção e a hiperatividade é confundir o título com a história inteira. São muitos sintomas”, afirmou Pelizzer.

Família e escola são essenciais no tratamento

Na discussão sobre tratamento, a psicoeducação foi destacada como ferramenta para compreender as dificuldades da criança sem associá-las a traços de personalidade. José Paulo Ferreira alertou: “Sintoma não é a mesma coisa que caráter. Não se deve nunca ter um olhar de alguém como um ser preguiçoso, e sim alguém que tem dificuldade nessas questões”.

A médica Paula Pereira ressaltou que o tratamento comportamental deve envolver a criança, a família e a escola simultaneamente. “É impossível trabalhar com uma criança sem trabalhar com a família. Não é um ou outro, é sempre com os dois juntos e a escola”, afirmou.

O manejo farmacológico também foi abordado, com destaque para o uso de estimulantes que podem contribuir para melhorar o autocontrole, conforme apresentado pelo médico Marcio Leyser.

Atuação multiprofissional amplia avaliação e intervenção

À tarde, a programação focou na intervenção multiprofissional nos transtornos do neurodesenvolvimento. O médico Ricardo Sukiennik apresentou o modelo de avaliação Arena, inspirado em experiências de atendimento integrado, no qual profissionais de diferentes especialidades avaliam e discutem os casos em conjunto.

Uma mesa-redonda moderada por Álvaro Leite reuniu a fonoaudióloga Letícia Pacheco Ribas, a psicóloga Angela Grassioli e a terapeuta ocupacional Thais dos Reis Bueno, que explicaram as diferenças entre comunicação, linguagem e fala nos transtornos do neurodesenvolvimento e a importância da avaliação neuropsicológica complementar.

Letícia destacou que, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), a comunicação é mais afetada que a fala e a linguagem; no Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), a linguagem é o aspecto mais impactado; e no Transtorno da Fala (TSF), a fala é a principal área afetada.

Angela ressaltou que não existe um perfil neuropsicológico específico para o TDAH, enquanto Thais explicou que a terapia ocupacional visa promover autonomia nas atividades diárias.

Sukiennik também apresentou o projeto Saúde Vai à Escola, que aproxima profissionais de saúde e professores para avaliar crianças com dificuldades escolares, ressaltando que “os professores veem a criança como um filme e nós, da pediatria, como fotografias”.

O evento reforçou a importância de uma avaliação cuidadosa e individualizada, que considere a história da criança, seu cotidiano e o suporte necessário em casa e na escola, além da colaboração entre diferentes profissionais para um tratamento eficaz.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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