Ebola: comunidade é chave para conter a epidemia, alerta médica da MSF
Rachel Soeiro destaca importância da adesão local e manutenção dos serviços de saúde durante surto na RDC
Conter a epidemia de Ebola exige mais do que recursos médicos e equipes especializadas. Para a médica Rachel Soeiro, de Médicos Sem Fronteiras (MSF), o envolvimento ativo das comunidades afetadas é essencial para que as medidas de prevenção e combate sejam eficazes.
Rachel, que atuou na Guiné durante a grande epidemia de 2014 a 2016, abordou o tema na conferência “Ebola: MSF e os desafios do enfrentamento da epidemia no campo”, realizada no Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília.
Ela ressaltou que, sem o apoio da comunidade, não é possível uma resposta adequada. A confiança entre moradores e profissionais de saúde influencia diretamente a procura por atendimento, o diagnóstico precoce e o controle da transmissão.
Manter outros serviços de saúde é vital
Segundo dados oficiais citados, a epidemia na República Democrática do Congo (RDC) já contaminou quase 5 mil pessoas, com 2.184 mortes, configurando o maior surto registrado no país e com avanço mais rápido que os anteriores.
Apesar da emergência, outras necessidades clínicas continuam presentes. Partos, vacinação infantil, tratamento de tuberculose, HIV e outras doenças não podem ser negligenciados.
“As outras necessidades clínicas não desaparecem. Não podemos ter uma crise dentro da crise só porque estamos cuidando do Ebola”, afirmou Rachel.
Ela também destacou a dificuldade de diferenciar sintomas do Ebola dos da malária, doença endêmica na região. A falta de reconhecimento da doença pela comunidade pode atrasar o diagnóstico e facilitar a disseminação do vírus.
Desafios adicionais: conflitos e falta de ferramentas
O cenário atual é agravado por conflitos armados e deslocamento de milhares de pessoas, dificultando o acesso de profissionais de saúde aos pacientes e vice-versa.
As equipes precisam de treinamento e equipamentos de proteção para atuar com segurança. Além disso, não existem testes rápidos para detectar o vírus do surto, o que contribui para atrasos no diagnóstico, isolamento e vigilância.
Rachel atribui a ausência dessas ferramentas básicas aos investimentos insuficientes em pesquisas após a epidemia de 2014. “A gente precisa ter estoques prontos antes que ocorram os casos da doença. Por isso, as pesquisas precisam continuar, para que quando a epidemia aconteça, tudo já esteja disponível”, afirmou.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



