Brasil quer produzir 70% dos medicamentos do SUS até 2033

Meta apresentada por Geraldo Alckmin prevê reduzir dependência de importações e ampliar capacidade nacional na saúde

O governo brasileiro estabeleceu a meta de elevar para 70% a produção nacional de medicamentos e insumos farmacêuticos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até 2033. A informação foi divulgada pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante o Fórum Saúde 2026, realizado em Brasília no dia 19 de agosto.

Atualmente, a indústria nacional responde por cerca de 50% da demanda do SUS, segundo Alckmin. Ele ressaltou que a dependência de produtos importados é um dos principais desafios do setor, evidenciado durante a pandemia de Covid-19, quando faltaram equipamentos essenciais como respiradores.

Importância da produção nacional

Uma cadeia produtiva mais robusta é estratégica para garantir o abastecimento em momentos de crise ou instabilidade no mercado internacional. A discussão abrange medicamentos, matérias-primas, equipamentos, pesquisa e a capacidade de resposta do sistema de saúde.

Alckmin destacou: “Saúde é o segundo déficit da balança comercial brasileira. O primeiro é tecnologia da informação. Produzimos pouco e importávamos muito em uma área estratégica. Veja a Covid: faltavam respiradores. Foi feito um esforço e estamos chegando em 50% de produção nacional. A meta é até 2033 chegar a 70% no complexo industrial da saúde.”

Além disso, o vice-presidente mencionou a necessidade de ampliar a presença brasileira no mercado internacional. O país representa atualmente cerca de 1,9% do mercado mundial de medicamentos, e o objetivo é conquistar novos mercados com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a empresas exportadoras.

Inovação e regulação

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle, ressaltou o papel da agência na abertura de mercados externos para a indústria brasileira. Países como a Colômbia já consideram as avaliações da Anvisa para agilizar registros de medicamentos, e o México deve seguir essa tendência.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, citou o registro concedido pela Anvisa em maio para a caneta de semaglutida da EMS, destacando que o produto, antes inacessível para grande parte da população, agora pode ser produzido no Brasil.

O evento também abordou o uso de inteligência artificial na descoberta de medicamentos, inovação regulatória e investimentos em pesquisa. Carlos Sanchez, presidente do Conselho de Administração do Grupo EMS, informou que a empresa dobrou o investimento em pesquisa neste ano, passando de 6% para 12% do faturamento, contando com mais de 1,5 mil pesquisadores e mais de 150 PhDs.

Saúde como estratégia de Estado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, enfatizou que a capacidade de produzir tecnologias essenciais deve ser tratada como uma questão estratégica de Estado. O Fórum Saúde 2026 reuniu representantes dos Três Poderes, órgãos reguladores e setor produtivo para debater autonomia, inovação e desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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