Carne brasileira avança na Ásia e feiras projetam US$ 66,7 milhões em novos negócios

Participação de empresas brasileiras em eventos na China e na Malásia reforça o Sudeste Asiático como um dos mercados estratégicos para as exportações nacionais de alimentos e proteína bovina

A presença da indústria brasileira de alimentos na Ásia ganhou força em 2026. Participações de empresas nacionais em duas grandes feiras internacionais realizadas em Xangai, na China, e Kuala Lumpur, na Malásia, resultaram em uma expectativa de US$ 66,7 milhões em negócios para os 12 meses seguintes aos eventos.

Os resultados ajudam a mostrar por que o continente asiático, especialmente o Sudeste Asiático, vem ocupando espaço crescente nas estratégias de internacionalização de empresas brasileiras do setor de alimentos e bebidas.

Somente na Food & Drinks Malaysia by SIAL, realizada entre 21 e 23 de julho, empresas brasileiras de carne bovina registraram US$ 3,432 milhões em negócios fechados durante o evento e projetaram outros US$ 21,259 milhões em novas operações ao longo dos próximos 12 meses.

A feira reuniu cerca de 18 mil visitantes, mais de 500 expositores e dez pavilhões internacionais em Kuala Lumpur.

Carne brasileira busca novos mercados no Sudeste Asiático

A edição de 2026 marcou a primeira participação do projeto Brazilian Beef na Food & Drinks Malaysia by SIAL.

A iniciativa é organizada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Participaram do pavilhão brasileiro as empresas Cooperfrigu Foods, Mercúrio Alimentos, Minerva Foods e Naturafrig Alimentos, que realizaram encontros com importadores, distribuidores e representantes de redes varejistas do Sudeste Asiático.

Além das vendas fechadas ainda durante a feira, a expectativa de mais de US$ 21 milhões em negócios futuros mostra a importância comercial que a região vem adquirindo para o setor brasileiro de proteína animal.

“Nossa estreia na Food & Drinks Malaysia by SIAL superou as expectativas, evidenciando a força e a receptividade da carne brasileira no mercado asiático. Fechamos negócios imediatos de US$ 3,43 milhões e projetamos US$ 21,25 milhões em novos negócios para os próximos 12 meses, resultado da solidez das parcerias estratégicas construídas durante o evento. Essa participação inédita consolidou nossa rota de diversificação de mercados em uma das regiões de maior crescimento no consumo global de proteína animal. Encerramos a missão com a certeza de termos aberto portas altamente lucrativas para o futuro do setor”, afirma Christyanne Kasper, Coordenadora Internacional de Promoção Comercial da ABIEC.

Por que a Malásia é estratégica para as empresas brasileiras?

Kuala Lumpur vem sendo apresentada pelo setor de alimentos como uma das portas de entrada para o mercado do Sudeste Asiático.

A localização permite que eventos realizados no país concentrem compradores, distribuidores e empresas interessados não apenas no mercado malaio, mas também em oportunidades comerciais em outros países da região.

A Food & Drinks Malaysia by SIAL reuniu profissionais da cadeia internacional de alimentos e bebidas e teve como tema em 2026 “Savour Southeast Asia: The Epicentre of Taste, Trade & Talent”, com foco no papel da região no comércio e na inovação do setor.

Para empresas brasileiras, a participação em eventos desse tipo reduz uma das principais dificuldades de quem pretende exportar: encontrar compradores, distribuidores e parceiros comerciais em mercados nos quais ainda não possui presença consolidada.

China também gerou milhões em oportunidades para empresas brasileiras

O resultado da Malásia não foi isolado.

Dois meses antes, em maio, empresas brasileiras participaram da SIAL Shanghai, na China. Os contatos comerciais realizados durante o evento resultaram em uma projeção de US$ 45,5 milhões em negócios nos 12 meses seguintes.

Outros US$ 3,25 milhões foram efetivamente negociados durante os três dias da feira.

Somadas as projeções obtidas em Xangai e Kuala Lumpur, as duas participações brasileiras alcançaram aproximadamente US$ 66,7 milhões em perspectivas de novos negócios.

Os números reforçam um movimento de aproximação entre produtores brasileiros e compradores asiáticos, especialmente em mercados nos quais alimentação, distribuição, varejo e proteína animal vêm ganhando escala.

Feiras internacionais ampliam acesso a compradores

Mais do que funcionar como vitrines de produtos, eventos internacionais do setor de alimentos vêm sendo utilizados pelas empresas como pontos de encontro com compradores, importadores e distribuidores de diferentes mercados.

Para Brena Baumle, representante da SIAL no Brasil, os resultados observados em 2026 mostram a importância desse tipo de encontro para a expansão internacional das empresas.

“O desempenho das empresas brasileiras nas edições da rede SIAL em 2026 confirma a relevância desses encontros como instrumentos de promoção comercial internacional. O que vemos em Xangai, Kuala Lumpur e nas demais feiras da rede é um ambiente que aproxima mercados, impulsiona novos negócios e fortalece relações comerciais de longo prazo. Esse é justamente o propósito do SIAL: criar oportunidades concretas para a indústria global de alimentos e bebidas”, afirma.

Ásia ganha importância na internacionalização da indústria de alimentos

O interesse pela região também aparece na expansão do calendário internacional de feiras do setor.

A rede SIAL realizará em novembro de 2026 sua primeira edição no Vietnã. A SIAL Vietnam está prevista para acontecer entre 11 e 14 de novembro, em Ho Chi Minh, simultaneamente à Food Expo International 2026.

O evento deverá reunir compradores internacionais, expositores e empresas interessadas no mercado do Sudeste Asiático.

Antes disso, a programação internacional inclui a SIAL China South, em Guangzhou, entre 3 e 5 de setembro; a SIAL Paris, de 17 a 21 de outubro; e a SIAL Interfood Jakarta, na Indonésia, entre 4 e 7 de novembro.

A expansão para diferentes cidades asiáticas acompanha uma transformação importante no comércio internacional de alimentos: empresas exportadoras precisam cada vez mais diversificar mercados e ampliar sua presença em diferentes regiões.

Quanto as empresas brasileiras projetam movimentar com as feiras SIAL em 2026?

As participações brasileiras realizadas em Xangai e Kuala Lumpur geraram, juntas, US$ 66,7 milhões em expectativas de negócios para os 12 meses seguintes aos eventos.

Na China, foram projetados US$ 45,5 milhões em negócios futuros. Na Malásia, empresas ligadas ao projeto Brazilian Beef estimaram outros US$ 21,259 milhões.

Além das projeções, negócios foram fechados durante as próprias feiras: US$ 3,25 milhões em Xangai e US$ 3,432 milhões em Kuala Lumpur.

Com uma indústria de alimentos fortemente exportadora e crescente interesse pela diversificação de destinos, o Brasil encontra na Ásia uma oportunidade para ampliar mercados — e os números registrados em 2026 mostram que essa aproximação já começa a se transformar em contratos.

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