Acidentes de moto internaram 1,25 milhão no SUS em 10 anos

Internações cresceram 72% em uma década; custo assistencial estimado em R$ 8,3 bilhões entre 2021 e 2025

Os acidentes envolvendo motociclistas representam um grave problema de saúde pública no Brasil, com impacto crescente sobre o sistema hospitalar e a sociedade. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que, entre 2015 e 2025, foram registradas 1.247.801 internações decorrentes de acidentes com motos, resultando em 22.984 óbitos hospitalares, conforme levantamento do Grupo IAG Saúde com base no DataSUS e na Plataforma DRG Brasil.

O aumento das internações é expressivo: de 89.315 casos em 2015 para 153.301 em 2025, um crescimento de aproximadamente 72% em dez anos. Esse cenário reflete a expansão da frota de motocicletas, impulsionada principalmente pelo trabalho de entregadores por aplicativo, que compõem a maioria dos acidentados.

Perfil dos acidentados

O perfil dos pacientes internados é predominantemente masculino e jovem. Entre 2021 e 2025, 81,7% dos internados eram homens, com idade média de 33,9 anos, faixa etária associada à vida produtiva e ao trabalho em entregas por aplicativo. As lesões são majoritariamente ortopédicas, com 59,4% das internações envolvendo cirurgias de membros e tratamento de fraturas, especialmente em membros inferiores e úmero, além de entorses e deslocamentos.

Gravidade dos acidentes

Os acidentes de moto raramente resultam em casos leves. Cerca de 10,8% dos pacientes necessitaram de terapia intensiva e 10,9% de ventilação mecânica, segundo a Plataforma DRG Brasil. A permanência média hospitalar foi de 6,9 dias, com tratamentos que frequentemente exigem cirurgias e reabilitação prolongada.

A mortalidade hospitalar ficou abaixo de 2% no período analisado: 1,8% na Plataforma DRG Brasil e 1,7% no DataSUS. Apesar da taxa relativamente baixa, o número absoluto de mortes é alarmante, com uma média superior a cinco óbitos hospitalares por dia na última década, sem contabilizar as mortes ocorridas no local dos acidentes.

Impacto financeiro para o SUS

O custo financeiro para o sistema público de saúde é significativo. Entre 2015 e 2025, o SUS pagou R$ 2,42 bilhões em internações relacionadas a acidentes de moto, com valor médio de R$ 1.940,47 por atendimento. No entanto, o custo assistencial real é estimado em cerca de R$ 8,3 bilhões entre 2021 e 2025, calculado a partir do custo médio da Plataforma DRG Brasil aplicado ao volume de internações do SUS. Essa estimativa serve para dimensionar a ordem de grandeza do impacto, pois as bases de dados possuem populações e finalidades distintas.

Prevenção e desafios

Os acidentes de moto são, em grande parte, evitáveis. O aumento constante das internações e o uso intensivo de recursos hospitalares evidenciam a necessidade de ações coordenadas para prevenção, incluindo formação adequada, melhores condições de trabalho para entregadores, fiscalização rigorosa, infraestrutura viária adequada e uso de equipamentos de proteção.

“Os acidentes de moto deixaram de ser eventos isolados para se tornarem uma epidemia silenciosa de trauma entre jovens. Nossos dados mostram um crescimento consistente das internações, com uso intensivo de UTI e alto custo assistencial. É um problema de saúde pública que exige resposta coordenada e que, ao contrário de muitas doenças, poderia ser evitado”, afirma o presidente do Grupo IAG Saúde, Dr. Renato Couto.

O levantamento reforça a urgência de políticas públicas eficazes para reduzir o número de acidentes e suas consequências, protegendo vidas e aliviando a pressão sobre o sistema de saúde.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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