Leonardo Garcez celebra papel de Jorge Laffond no teatro
Após sessões lotadas em Salvador, ator fala sobre a preparação para viver Jorge Laffond e transformar memórias de dor em processo de cura
Leonardo Garcez viveu um momento marcante ao protagonizar a peça Jorge Pra Sempre Verão, que encerrou sua temporada na Caixa Cultural Salvador com sessões lotadas. Assumindo o papel principal com pouco mais de um mês de preparação, o ator considera essa experiência a mais importante de sua trajetória no teatro.
Além do sucesso no palco, Leonardo já negocia um novo projeto no audiovisual, ampliando seus horizontes artísticos. No espetáculo, ele interpreta Jorge Laffond, artista conhecido pelo personagem Vera Verão, e revisita uma trajetória marcada por talento, humor e representatividade.
Pesquisa aprofundada para um papel complexo
Para dar vida a Jorge Laffond, Leonardo realizou uma extensa pesquisa que incluiu entrevistas, livros, registros audiovisuais e relatos de pessoas próximas ao artista, contando também com o acompanhamento da preparadora Érica Ribeiro. O objetivo não era apenas reproduzir a personagem Vera Verão, mas compreender quem era Jorge fora das câmeras.
O ator destaca que, ao aprofundar-se na vida do artista, descobriu uma dimensão mais íntima: “No fundo, ele só queria ser amado”. Essa percepção ressoa com as experiências de pessoas pretas e LGBTQIA+, que frequentemente enfrentam a negação de acolhimento e afeto.
Transformando dor em homenagem
Leonardo relembra que, por muitos anos, ouvir o nome Vera Verão lhe causava medo, insegurança e tristeza, pois era uma tentativa de ofensa dupla relacionada à sua cor e orientação sexual. Com o tempo, ele passou a compreender a importância de Jorge Laffond para o Brasil e para si mesmo, vendo a volta ao palco como uma forma de mostrar que ser comparado a ele jamais será ofensivo.
Interpretar Jorge Laffond também se tornou para Leonardo um processo de cura, reconhecendo o papel do artista em abrir caminhos para a representatividade negra e LGBTQIA+ em um período de grande limitação na televisão.
O teatro como refúgio e espaço de descoberta
A relação de Leonardo com a arte começou na infância, na Vila Guacuri, por meio do projeto social Circo das Artes. O teatro foi um refúgio para ele, um espaço onde pôde criar, brincar e descobrir sua identidade, em contraste com a hostilidade que enfrentava na escola.
Dirigida por Rodrigo França e escrita por Aline Mohamad e Diego do Subúrbio, a peça também promoveu bate-papos com o público, ampliando o debate sobre o legado de Jorge Laffond e a representatividade no teatro brasileiro. Para Leonardo, o contato com a plateia foi parte essencial da experiência: “Meu primeiro protagonista no teatro, vivendo Jorge Laffond, me entregando dessa forma tão verdadeira, tão honesta comigo.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



