LCA: por que voltar a jogar exige mais que cirurgia
Estudos mostram que a recuperação do ligamento cruzado anterior envolve força, confiança e adaptação à rotina esportiva
Voltar ao esporte depois de uma cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) é um processo que vai muito além da data do primeiro jogo após a operação. A recuperação envolve não apenas a cicatrização, mas também o fortalecimento muscular, a restauração da função do joelho, a confiança do atleta e a capacidade de suportar novamente as exigências físicas da modalidade esportiva.
O caso do meio-campista espanhol Rodri ilustra bem essa trajetória. Aos 30 anos, ele rompeu o LCA do joelho direito em setembro de 2024 e retornou aos gramados oito meses depois, em maio de 2025. Inicialmente, enfrentou uma queda no rendimento, mas conseguiu recuperar seu desempenho a tempo de disputar a Copa do Mundo de 2026, na qual foi eleito o melhor jogador do torneio, conforme divulgado pela Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE).
O desempenho pode levar temporadas para voltar
Um estudo publicado em 2021 no Orthopaedic Journal of Sports Medicine acompanhou jogadores profissionais de elite da UEFA entre 1999 e 2019. A pesquisa mostrou que atletas submetidos à cirurgia do LCA disputaram menos partidas e minutos, além de apresentarem desempenho inferior nas duas primeiras temporadas após a lesão.
Porém, a partir da terceira temporada, o rendimento desses jogadores se igualou ou até superou o de atletas que não sofreram a lesão, com exceção dos atacantes, que apresentaram uma queda mais prolongada. O tempo médio para retorno aos gramados foi de 216 dias.
“Os dados mostram que o retorno ao futebol não deve ser entendido apenas como o momento em que o atleta volta a entrar em campo. Existe todo um processo de recuperação física e funcional até que ele consiga recuperar a confiança, a capacidade de executar os movimentos com segurança e, principalmente, atingir novamente o seu melhor desempenho”, explica Adriano Marques de Almeida, presidente da SBRATE.
Lesão também pode afetar a carreira
Outro estudo, publicado em 2026 na revista Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy, analisou 211 jogadores profissionais submetidos à reconstrução do LCA. A pesquisa identificou uma depreciação média de aproximadamente 2,5% no valor de mercado dos atletas após a lesão.
Entre jogadores com 30 anos ou mais, a queda chegou a 5,5%, enquanto entre atletas de até 22 anos foi de 0,9%. O levantamento também apontou que 16% dos jogadores passaram a atuar em ligas de nível inferior após a lesão.
O atacante Neymar é outro exemplo que mostra como a recuperação pode seguir caminhos diferentes. Após reconstruir o LCA do joelho esquerdo em 2023, ele enfrentou novos períodos de afastamento por lesões, mas participou de algumas partidas na Copa do Mundo de 2026.
E para quem pratica esporte por hobby?
Atletas recreativos também precisam de paciência extra na recuperação. Uma revisão sistemática publicada na revista The Knee, que analisou sete estudos, constatou que 59% dos atletas recreativos conseguiram retornar ao mesmo nível esportivo que tinham antes da lesão.
Outra revisão, publicada na Annals of Physical and Rehabilitation Medicine, associou maior força muscular, melhor função física do joelho e preparo psicológico a maiores chances de retorno ao esporte após a reconstrução do LCA. Os autores, porém, ressaltam que a certeza dessas evidências ainda é considerada baixa.
Na prática, apressar o retorno pode comprometer o resultado da cirurgia. O acompanhamento individualizado e o respeito à evolução de cada paciente são fundamentais para retomar atividades como futebol, corrida e outros esportes com segurança e durabilidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



