63,1% das Pessoas com Deficiência Não Concluem o Ensino Fundamental
Censo 2022 revela desigualdades educacionais e destaca desafios para inclusão plena
A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, realizada de 21 a 28 de agosto, é um momento para refletir sobre os desafios que vão além da acessibilidade física. A data, instituída pela Lei nº 13.585/2017, tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre as necessidades específicas dessa população, estimular políticas públicas inclusivas e combater o preconceito e a discriminação.
Desigualdades educacionais evidenciadas pelo Censo 2022
Segundo dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, 14,4 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais. O levantamento passou a incluir aspectos relacionados à cognição e comunicação, ampliando a compreensão sobre as deficiências.
Na área da educação, as disparidades são marcantes. Entre pessoas com deficiência com 25 anos ou mais, 63,1% não concluíram o ensino fundamental, enquanto esse índice é de 32,3% entre aqueles sem deficiência. No ensino superior, apenas 7,4% das pessoas com deficiência completaram a graduação, contra 19,5% das pessoas sem deficiência.
Barreiras que ultrapassam a acessibilidade física
Para quem vive com deficiência intelectual ou múltipla, as dificuldades começam cedo e se estendem por toda a vida. Elas incluem a falta de apoio adequado nas escolas, serviços de saúde pouco preparados, transporte e cultura inacessíveis, além da escassez de oportunidades profissionais e o preconceito persistente.
É importante destacar que o Censo não apresenta um número específico e isolado para pessoas com deficiência múltipla, o que impede a soma direta de diferentes tipos de deficiência para compor esse total.
Frequentemente, a maior limitação está no ambiente, que não está preparado para acolher as necessidades dessas pessoas. Por isso, a inclusão requer formação de professores e profissionais de apoio, atendimento de saúde e reabilitação próximos às famílias, acessibilidade física e digital, além de caminhos concretos para a inserção no mercado de trabalho.
Inclusão como direito e responsabilidade social
Wolf Kos, presidente do Instituto Olga Kos, ressalta que a sociedade deve mudar o foco: “A sociedade precisa parar de perguntar apenas o que essas pessoas conseguem fazer e começar a perguntar: o que nós precisamos mudar para que elas possam fazer mais?”
Para que as políticas de inclusão sejam eficazes, é fundamental garantir recursos, promover a integração entre União, estados e municípios e realizar o acompanhamento contínuo dos resultados. A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla serve para reforçar que a inclusão não é favor ou caridade, mas um direito que deve ser assegurado por toda a sociedade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



