Saúde mental: por que dizer “não” também é autocuidado
Palestra no 10º EEPE da FACISB abordou cobranças, comparações, descanso e limites para preservar o bem-estar emocional
Você sente que precisa dar conta de tudo, o tempo todo? Essa pressão foi o ponto de partida da palestra “Entre sobreviver e dar conta de tudo e a saúde mental”, realizada na quarta-feira (12), durante o 10º Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão (EEPE) da FACISB. Conduzido pelo médico psiquiatra Luiz Alberto B. Hetem, o encontro reuniu alunos de Medicina e integrantes da comunidade.
A conversa colocou em pauta um dilema comum: como cumprir responsabilidades sem transformar a própria rotina em uma sequência permanente de cobranças, comparações e culpa? Para o especialista, preservar a saúde mental também depende de reconhecer necessidades pessoais e compreender que nem todas as demandas podem ser atendidas ao mesmo tempo.
Comparação e excesso de cobrança podem aumentar a frustração
Entre os temas discutidos esteve a tendência de comparar a própria trajetória com a de outras pessoas. Observar constantemente conquistas, resultados e estilos de vida alheios pode alimentar sentimentos de inadequação, especialmente quando as circunstâncias individuais são deixadas de lado.
A palestra também abordou os períodos de baixa motivação. Em vez de interpretar automaticamente esses momentos como fracasso ou falta de capacidade, a reflexão propôs reconhecer os próprios limites. Descanso, pausa e recuperação foram apresentados como partes de uma rotina saudável — e não como sinais de improdutividade.
Aprender a dizer “não” protege tempo e energia
Estabelecer limites, principalmente diante da dificuldade de recusar pedidos, foi outro ponto central do encontro. Dizer “não” a determinadas demandas pode ajudar a preservar tempo, energia e bem-estar, evitando que a necessidade de agradar ou corresponder às expectativas externas resulte em sobrecarga.
O especialista também chamou atenção para a importância de observar as relações interpessoais e os ambientes frequentados. Identificar comportamentos negativos e situações que comprometem o equilíbrio emocional faz parte do cuidado com a saúde mental.
Psicoterapia pode ser uma ferramenta de cuidado
A psicoterapia também foi apresentada como um recurso para trabalhar diferentes dimensões da saúde mental. “A psicoterapia catalisa e trabalha em todos os âmbitos da saúde mental, desde que a pessoa queira e esteja motivada”, afirmou Luiz Alberto Hetem.
Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp, o psiquiatra é especialista em Psiquiatria e doutor em Saúde Mental, com concentração em Psicofarmacologia, pela FMRP-USP. Ele também realizou pós-doutorado na França, foi professor da Pós-Graduação em Saúde Mental da FMRP-USP e participou da direção da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Ao levar o debate para o ambiente acadêmico, o EEPE reforçou que falar sobre limites, descanso e autocuidado é relevante tanto para estudantes quanto para futuros profissionais da saúde. Afinal, cuidar de si não significa abandonar responsabilidades, mas construir uma relação mais consciente com o próprio tempo, as escolhas possíveis e o bem-estar.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



