Poluição do ar aumenta risco de AVC e doenças cardíacas
Estudo com mais de 157 mil pessoas relaciona exposição ao PM2,5 a eventos cardiovasculares
Quando se pensa em poluição do ar, os impactos respiratórios são os primeiros a serem lembrados. No entanto, a exposição prolongada ao material particulado fino, conhecido como PM2,5, também está ligada a doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).
Este alerta ganha destaque próximo ao Dia de Combate à Poluição, celebrado em 14 de agosto. Uma análise do estudo internacional PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology), conduzida no Brasil pelo Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, acompanhou 157.436 adultos entre 35 e 70 anos, residentes em 747 comunidades de 21 países.
O que é o PM2,5?
O PM2,5 é composto por partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros. Devido ao seu tamanho reduzido, essas partículas penetram profundamente nos pulmões e alcançam a circulação sanguínea, desencadeando processos inflamatórios e danos que ultrapassam o sistema respiratório.
Na população estudada, os pesquisadores estimaram que 13,9% dos eventos cardiovasculares poderiam ser atribuídos à exposição ao PM2,5. No caso do AVC, essa proporção foi ainda maior, chegando a 19,6%, ou seja, quase um em cada cinco eventos observados.
Poluição e saúde: um desafio coletivo
Os dados reforçam que a qualidade do ar deve ser considerada nas estratégias de prevenção cardiovascular. Embora fatores individuais como controle da pressão arterial, alimentação saudável, prática de exercícios, evitar o tabagismo e acompanhamento médico sejam essenciais, a exposição ambiental representa um risco que vai além das escolhas pessoais.
Um estudo brasileiro publicado em 2026 nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia analisou a exposição ao PM2,5 nos bairros do Rio de Janeiro entre 2000 e 2019. Os resultados indicaram ampla exposição da população a níveis elevados dessas partículas e uma associação significativa entre a poluição atmosférica e a mortalidade por doenças do aparelho circulatório.
Além dos efeitos no coração e pulmões, a Organização Mundial da Saúde destaca associações da poluição com diabetes, alterações na função renal e declínio cognitivo. O relatório State of Global Air 2025 também passou a estimar o impacto da poluição sobre a demência.
Importância das políticas públicas
Em 2023, aproximadamente 7,9 milhões de mortes no mundo — cerca de uma em cada oito — foram atribuídas à poluição do ar, segundo o State of Global Air 2025. O PM2,5 foi responsável por cerca de 4,9 milhões dessas mortes.
Reduzir esse impacto requer tanto medidas individuais de proteção em períodos de pior qualidade do ar quanto ações coletivas, como monitoramento constante da qualidade do ar, redução das emissões poluentes e planejamento urbano eficiente. Assim, cuidar da saúde cardiovascular também envolve discutir e melhorar o ambiente em que as pessoas vivem, trabalham e circulam.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



