Empreendedorismo feminino: 57,3% sustentam o lar
Pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora revela desafios como sobrecarga de cuidado, informalidade e dificuldades financeiras para mulheres empreendedoras
Empreender para muitas brasileiras é mais do que uma escolha profissional: é uma necessidade para sustentar suas famílias. A pesquisa nacional Empreendedoras e Seus Negócios 2026, realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), revela que 57,3% das mulheres que lideram negócios são as principais provedoras de suas casas. No entanto, nove em cada dez não conseguem guardar recursos para o futuro.
Em sua 11ª edição, o estudo analisou o perfil, os desafios e as perspectivas das empreendedoras brasileiras. A etapa quantitativa contou com 1.176 respostas válidas de todas as regiões do país, com 95% de grau de confiança e margem de erro máxima de 3,1%. Além disso, 95 mulheres participaram de grupos focais e especialistas foram consultados para aprofundar a análise.
O impacto da sobrecarga do cuidado
A maternidade é realidade para 73,8% das empreendedoras, sendo que quase metade delas são mães solo. Apesar disso, 75% afirmam não contar com apoio informal, seja de parceiros, familiares ou serviços pagos, para dividir as tarefas de cuidado.
Essa falta de suporte tem consequências diretas na rotina profissional: 80,7% já precisaram interromper as atividades de seus negócios para realizar tarefas de cuidado, e 61,7% reconhecem que essa sobrecarga limita o desenvolvimento de suas empresas. Além disso, as mulheres dedicam em média seis horas semanais a menos ao negócio do que os homens, resultado da jornada doméstica acumulada.
Desafios financeiros e desigualdade racial
Setenta por cento das empreendedoras trabalham por conta própria, sem colaboradores, e 39,8% dos negócios têm entre dois e cinco anos de existência. A área de alimentação e gastronomia concentra 21,3% dos empreendimentos.
O cenário financeiro é desafiador: 46,6% dos negócios faturam até R$ 3.242 por mês, e apenas 10% das mulheres conseguem gerar sobra financeira para poupar ou reinvestir. A informalidade atinge 31,9% do setor, motivada principalmente pelos altos custos, apontados por 38,9% das participantes.
As mulheres negras representam 52,3% das empreendedoras, mas enfrentam maior vulnerabilidade, com taxa de informalidade de 42,8%, contra 24,5% entre as demais. Essa disparidade dificulta o acesso a crédito, auxílio-doença e aposentadoria.
Marketing, segurança digital e autonomia
A gestão de marketing e divulgação é o principal obstáculo operacional para 51,9% das entrevistadas. Embora 72,2% utilizem a internet para promover seus produtos e serviços, muitas não se consideram criadoras de conteúdo e relatam receio de assédio digital e violência de gênero.
Apesar dos desafios, 70,1% das empreendedoras se declaram confiantes e 66,7% estão otimistas com o futuro. O acesso ao crédito avançou significativamente, passando de 25% em 2023 para 47,8% em 2026, ampliando a capacidade de investimento dessas mulheres.
A fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes, destaca que o fortalecimento do empreendedorismo feminino depende de “rede de apoio, capacitação e colocar dinheiro na mesa delas para que possam prosperar com maior velocidade”.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



